O candidato presidencial João Ferreira considerou esta terça-feira que a votação antecipada dos idosos em lares e pessoas em confinamento devido à covid-19 para as eleições de domingo talvez tenha sido “insuficientemente divulgada”, tendo em conta a baixa adesão registada.

Os votos dos quase 13 mil idosos em lares e pessoas em confinamento que se inscreveram para votar começaram hoje a ser recolhidos, havendo, no total, 12.906 pessoas que vão poder votar sem sair à rua entre hoje e quarta-feira, segundo dados do Ministério da Administração Interna.

Questionado pelos jornalistas sobre as razões para a baixa adesão à votação antecipada, o candidato comunista considerou que essa possibilidade “talvez tenha sido insuficientemente divulgada”, notando, contudo, não poder responder "por inteiro" à questão.

Eu desejaria que tivessem sido mais pessoas, no limite, que todas as pessoas que estavam nessa situação a tivessem aproveitado. Infelizmente isso não aconteceu”, afirmou aos jornalistas à porta de um laboratório da Universidade da Évora.

O eurodeputado mostrou-se ainda preocupado com a abstenção nas eleições presidenciais, mas considerou positivo que se tivessem criado alternativas para as pessoas que não poderiam votar no próximo domingo.

Claro que me preocupa [a abstenção], tenho-o dito desde o início. Foi positivo que se tivessem criado possibilidades, por exemplo, no que toca ao voto de mobilidade antecipado, que teve uma participação nunca vista antes, quer relativamente à criação da possibilidade de pessoas que estão em confinamento poderem votar no seu domicílio”, considerou.

Para João Ferreira, teria sido importante “que essas possibilidades tivessem sido levadas tão longe quanto possível, nomeadamente, no que toca ao voto em domicílio em situação de confinamento”.

O candidato apoiado pelo PCP e PEV vai passar o 10º dia de campanha no Alentejo, tendo começado por Portalegre, de onde seguiu para Évora, cidade onde visitou um laboratório dedicado ao estudo do património cultural, cuja entrada foi vedada aos jornalistas devido à pandemia de covid-19.

A inscrição para o voto antecipado, sobretudo dos doentes com covid-19, motivou várias reclamações à Comissão Nacional das Eleições, de eleitores que se queixavam de informações incompletas sobre os prazos.

Só podiam fazer o pedido para o voto antecipado em confinamento os eleitores a quem tivesse sido decretado confinamento pelas autoridades de saúde pública até quinta-feira, 14 de janeiro, dez dias antes das presidenciais.

É o que estipula a lei aprovada em outubro, no parlamento, que regula o direito de voto antecipado para os eleitores que estejam em confinamento obrigatório, devido à pandemia da doença covid-19, em atos eleitorais e referendários em 2021.

O que quer dizer que quem foi confinado a partir de sexta-feira, seja por estar doente seja por isolamento profilático (devido a um contacto com uma pessoa infetada), já não pode pedir para votar antecipadamente.

As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral começou em 10 de janeiro e decorre até sexta-feira, com o país a viver sob medidas restritivas devido à pandemia. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

Desde 1976, foram Presidentes António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006) e Cavaco Silva (2006-2016). O atual chefe de Estado, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que se recandidata ao cargo.

/ RL