Tanto Ana Gomes como João Ferreira são conhecidos pelo longo trajeto feito no Parlamento Europeu, no entanto, no frente a frente desta terça-feira, ficou claro que não percorriam os mesmos corredores.

Enquanto o candidato comunista entende que Portugal é um país submisso à Europa, por aceitar medidas europeias que são contra o interesse nacional, Ana Gomes defende que Portugal precisa da Europa e deu como exemplo o acesso a vacinas para combater a covid-19. 

Nunca defendi a saída da União Europeia (...) defendo que o país não deve aceitar, como tem acontecido, decisões que são claramente prejudiciais ao seu interesse. Não critico formas de cooperação entre países que contribuam para fazer face a uma aflição que toca a todos. Aí, o que foi a intervenção da União Europeia deixou a desejar, sobretudo na fase inicial", afirmou João Ferreira. 

João Ferreira criticou ainda as imposições de Bruxelas em relação à gestão da Caixa Geral de Depósitos e da TAP, apontando o dedo a Marcelo por este não ter tido "uma palavra a dizer" enquanto Presidente da República. 

Ana Gomes fez questão de realçar que este é um dos principais pontos de divergência que tem com o candidato comunista e considerou a União Europeia fundamental para a evolução digital do país, bem como das vacinas para combater a pandemia.

Esta é a grande divisão que eu tenho com João Ferreira, porque eu sou profundamente europeísta e mais covicta hoje que sem a Europa, nós não nos salvávamos".

 

Precisamos da Europa num mundo inteiro dependente e globalizado. Só pela Europa podemos fazer a diferença e podemos regular até a nível global. Desde as questões do mundo digital, até às questões da vacina. Não teríamos jamais a vacina. A cooperação por si, como o João defende, não chega", rematou. 

A socialista relembrou a importância da existência de um Fundo de Recuperação e Resiliência, para ajudar os Estados-membros a sair da crise pandémica, e ainda a mutualização da dívida que vai ser paga com impostos europeus. 

Ana Gomes acusou ainda João Ferreira de ter votado contra (no Parlamento Europeu) as propostas de impostos sobre multinacionais digitais e de se ter abstido no relatório do escândalo Lux Leaks.

O debate terminou com os dois candidatos em plena discussão, o que, por si só, revelou que havia muito mais para dizer sobre as divergências europeias destes deputados - no caso de Ana Gomes outrora deputada - europeus. 

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 23:29