O candidato presidencial apoiado pelo PCP esteve esta segunda-feira no Jornal das 8, onde foi entrevistado por Miguel Sousa Tavares. Um dia depois da realização do XXI Congresso do partido, João Ferreira afirma que era "imprescindível" que o evento ocorresse.

O candidato a Belém afirma que as condições de segurança sanitária foram completamente garantidas, fazendo a ponte para aquilo que entende ser a falta das mesmas condições em várias empresas do país.

A vida tem de continuar e a vida continua", afirmou.

João Ferreira diz que o congresso comunista mostrou que existe alguém que se preocupa com aqueles que "não têm protegida a sua saúde nos locais de trabalho".

Questionado sobre a escolha do PCP ter recaído em si, João Ferreira garante que foi consultado antes do partido ter anunciado oficialmente o apoio.

Sobre a candidatura a Belém, João Ferreira fala em "valores únicos" que orientam o projeto, admitindo uma diferente atuação na fiscalização de leis aprovadas no parlamento ou por decreto-lei do Governo.

Em concreto sobre os valores que orientam o PCP, que se diz um partido marxista-leninista, o candidato garante que a sua visão vai de encontro ao respeito à Constituição.

Eu não tenho nada contra a propriedade e revejo-me nessas disposições da Constituição", acrescentou.

Falando sobre a atuação do atual Presidente da República, João Ferreira referiu que a ação de Marcelo Rebelo de Sousa "sujeitou jovens a vulnerabilidade".

Imaginando uma situação em que teria de dar posse a um Governo de direita, o comunista afirma que respeitará todos os resultados eleitorais, nunca deixando de atuar com os mecanismos que competem ao chefe de Estado.

Não vou encarar o juramento que o Presidente da República faz de cumprir e fazer cumprir a Constituição como um mero formalismo ou ato democrático", explicou.

No atual contexto de pandemia de covid-19, o PCP acabou por não votar a favor de um novo estado de emergência, que foi decretado e está em vigor.

Para João Ferreira, o Governo deve reforçar o Serviço Nacional de Saúde e as equipas de rastreio: "O estado de emergência não contribuiu para uma destas medidas".

No plano internacional, João Ferreira afirma que Portugal tem "desguarnecido a produção do seu mercado interno", afirmando que o país perde soberania pelo facto de pertencer à União Europeia.

Um dos exemplos referidos pelo candidato é a intervenção do Estado português na TAP, que entende ser uma "submissão" às diretivas europeias.

Sobre o objetivo final das eleições, João Ferreira afirma que quer ser Presidente da República: "Não me candidato a percentagens".

As eleições presidenciais realizam-se no dia 24 de janeiro e a TVI pretende entrevistar todos os candidatos com apoio parlamentar ou que reúnam apoios de deputados. Até agora foram entrevistados André Ventura e Tiago Mayan Gonçalves.

António Guimarães