O confronto desta quinta-feira entre André Ventura e Marisa Matias ficou marcado por uma troca de insultos entre os candidatos. Um debate de tal forma aceso que a moderadora admitiu desligar os microfones na última pergunta, no final de uma discussão em que ambos levantaram “casos” tanto de dirigentes do Bloco de Esquerda, como do deputado do Chega, alvo de uma busca pela PJ.

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda entrou em posição de ataque e começou por garantir que se fosse eleita Presidente da República não daria posse a um Governo do qual o Chega fizesse parte. 

Já André Ventura disse que daria posse a um Governo que envolvesse o Bloco de Esquerda: "Esta é a nossa diferença", afirmou, acusando Marisa de “insanidade anti-democrática”. 

E Marisa prosseguiu, acusando Ventura de ser "o único candidato que teve a Polícia Judiciária a fazer buscas no seu gabinete", e exigindo mais explicações sobre isso. O candidato do Chega não respondeu propriamente, mas, a partir daí, pareceu mais preparado para os ataques da adversária. Por exemplo, quando novamente confrontado com as suas faltas no Parlamento, exibiu uma notícia sobre as faltas do Bloco de Esquerda.

Marisa, a "hipócrita"

Confrontado várias vezes por Marisa Matias sobre o porquê de ter tido buscas no gabinete, André Ventura ripostou que Fernando Medina, que é apoiado pelo BE, também teve buscas, "mas não lhe dá jeito dizer".

Deixe a hipocrisia de lado e diga que o BE vai deixar de apoiar Fernando Medina", sugeriu Ventura.

O candidato do Chega lembrou ainda o caso do vereador Ricardo Robles, um crítico do chamado "carrossel da especulação", que pôs à venda um prédio por 5,7 milhões comprado à Segurança Social por 347 mil euros.

Ao que Marisa Matias perguntou por três vezes: “Diga o que é que a PJ foi fazer ao seu gabinete?”

Ventura, o "vigarista" 

Ventura, afirmou a bloquista, é um candidato que “está sistematicamente a mentir ao eleitorado” e não quer que os portugueses conheçam o seu programa. Disse ainda que “tem toda a força para os mais frágeis, mas não tem uma palavra sobre o crime económico e os paraísos fiscais”.

André Ventura é cobarde, troca-tintas, na realidade é um vigarista”, atacou.

Marisa Matias justificou a acusação de vigarista por Ventura ter defendido a exclusividade dos deputados, quando recebia três remunerações diferentes - situação que, entretanto, já corrigiu.

Marisa Matias acusou ainda André Ventura de "não perceber nada disto" e de querer "atacar" os portugueses com impostos.  

Questionado sobre a taxa de IRS de 15%, que consta no seu programa, André Ventura diz a Marisa Matias: "Não diga disparates. Só tenho pena que não saiba do que está a falar".

 Ventura continuou e perguntou "e o vigarista sou eu?", depois de dizer que o Bloco não acompanhou propostas do Chega, por exemplo, para uma revisão dos salários dos profissionais de saúde ou reduzir os salários políticos.

O vigarista está do outro lado da mesa”, concluiu o candidato presidencial do Chega.

Sempre em tom tenso, o debate também passou pela saúde e pela continuação ou não das parcerias público-privadas (PPP).

A candidata apoiada pelos bloquistas é contra as PPP como um negócio, criticando os hospitais privados por pouco ou nada terem feito no combate à pandemia de covid-19, enquanto o candidato da direita deu um exemplo do contrário, em Braga.

O que levou Ventura a insistir no epíteto de “vigarista” para a sua adversária, dizendo que “os maiores vigaristas” estão do “outro lado” da mesa, aproveitando para criticar uma alegada falta de preparação de Marisa.

Não vinha debater com o Rato Mickey, vinha debater comigo. E eu vinha preparado para acabar consigo”, disse.

A imigração foi outro tema em que os dois candidatos expuseram as suas divergências, já em tom menos exaltado, mas Ventura insistiu na ideia de que não se pode “deixar entrar pessoas” que vêm de Marrocos, onde não há registo de perseguições religiosas ou políticas, o que é diferente do asilo político.

Ao que a eurodeputada do BE acusou de Ventura de recorrer “aos refugiados e às minorias, aos ciganos” para tentar os portugueses “contra os mais fragilizados” e que, por cobardia, “não aponta o dedo” ao “poder económico”.

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Rafaela Laja