O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, foi esta noite saudado por uma multidão à chegada a Bissau, milhares de pessoas espalhadas continuamente ao longo dos cerca de oito quilómetros que distanciam o aeroporto do centro da cidade.

O chefe de Estado português levou duas horas a percorrer este trajeto, pela Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, grande parte do tempo acenando empoleirado na porta da viatura onde seguia acompanhado pela ministra de Estado e dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Suzi Barbosa.

Marcelo Rebelo de Sousa saiu várias vezes do carro para ir ao encontro da multidão efusiva, provocando grande agitação nas forças de segurança. À sua passagem, pessoas corriam e gritavam "Presi, Presi", outras agradeciam a sua vinda, ao fim 31 anos sem uma visita oficial de um Presidente português a este país.

Também se ouvia o nome do Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, e pedidos de vistos para entrar em Portugal: "Visa, visa".

Já no final da avenida, artistas cantavam e dançavam num palco improvisado no cimo de um camião, que acompanhou parte do percurso da longa comitiva de Marcelo Rebelo de Sousa, composta por dezenas de viaturas.

O chefe de Estado saiu do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira pelas 20:10 locais (21:10 em Lisboa) e chegou ao destino, uma unidade hoteleira onde o esperavam representantes da comunidade portuguesa na Guiné-Bissau, duas horas depois.

Já junto ao hotel, ainda fez um desvio para ir cumprimentar mais pessoas que se concentravam do outro lado da Estrada.

31 anos é demasiado para países tão próximos"

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, chegou esta segunda-feira a Bissau, vindo de Cabo Verde, para a sua primeira visita oficial à Guiné-Bissau, onde estará até ao fim do dia de terça-feira, com um programa intenso.

O chefe de Estado viajou num avião da Força Aérea Portuguesa que chegou ao Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira pelas 20:00 locais (21:00 em Lisboa), com mais de uma hora e meia de atraso em relação ao previsto.

À chegada, foi recebido pela ministra de Estado, dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades da Guiné-Bissau, Suzi Barbosa, e os dois caminharam lado a lado até uma sala do aeroporto, rodeados por repórteres de imagem.

Durante o percurso, Suzi Barbosa referiu que "passaram 31 anos sem vir um chefe de Estado" à Guiné-Bissau em visita oficial - o último foi Mário Soares, em 1989 - e considerou que "é muito, é demasiado para países tão próximos".

"É uma eternidade", comentou Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando: "É quase o dobro da idade do meu neto mais velho". Por sua vez, a ministra de Estado e dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau observou: "São os anos que eu estive na Europa, sabe, 30 anos".

Segundo o chefe de Estado português, no entanto, "não se perdeu o essencial, que é a amizade entre os povos". No entender de Suzi Barbosa, "até aumentou", e Marcelo Rebelo de Sousa concordou.

Mas com uma presidência como a sua, é normal. A sua simpatia ajuda bastante", disse-lhe a ministra guineense. "Vamos ver, vamos ver", respondeu o Presidente português.

Marcelo Rebelo de Sousa tinha também à sua espera no aeroporto embaixadores de países da União Europeia e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Bissau.

Em outubro de 2020, o Presidente português recebeu em Lisboa o seu homólogo da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, também em visita official.

Marcelo vai ter um dia intenso em Bissau

O programa desta visita oficial concentra-se na terça-feira, com uma série de encontros institucionais, a começar pelo seu homólogo, Umaro Sissoco Embaló, que o receberá no Palácio da Presidência, em Bissau, para um encontro seguido de declarações à imprensa e de um almoço.

Marcelo Rebelo de Sousa irá ainda reunir-se com o presidente do parlamento, Cipriano Cassamá, e líderes das bancadas parlamentares, e com o primeiro-ministro guineense, Nuno Gomes Nabiam, no Palácio do Governo, em Bissau.

Durante a tarde, irá prestar homenagem aos antigos combatentes portugueses da guerra colonial sepultados no cemitério de Bissau.

. / MJC/ Notícia atualizada às 00:10