O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, endereçou esta sexta-feira as condolências à Nova Zelândia pelas mortes nos ataques a duas mesquitas em Christchurch, falando num “ataque gravíssimo” ao estado de direito.

Já tive oportunidade de enviar ao senhor governador geral da Nova Zelândia as minhas condolências em nome do povo português, testemunhando a solidariedade perante aquilo que foi um ataque gravíssimo ao estado de direito democrático”, afirmou aos jornalistas à entrada para a conferência "A Europa e o Presente", organizada pelo jornal Público, no Porto.

Além de testemunhar “consternação e a dor”, o chefe de Estado mostrou ainda a sua solidariedade perante este tipo de atos que são "a todos os títulos condenáveis" por parte das democracias e daqueles que defendem a liberdade, o pluralismo e o diálogo nas relações entre os povos.

Ferro Rodrigues envia mensagem de solidariedade ao homólogo

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, enviou uma mensagem de "pesar e solidariedade" ao homólogo neozelandês.

Numa mensagem a que a agência Lusa teve acesso e que foi enviada de manhã ao presidente da Câmara dos Representantes da Nova Zelândia, Trevor Mallard, Ferro Rodrigues condena "atos tão bárbaros" que "foram premeditados para terem lugar a uma sexta-feira, quando as comunidades islâmicas enchem as mesquitas para rezarem em paz a sua oração semanal".

Os ataques terroristas odiosos levados a cabo em duas mesquitas de Christchurch, que tirou tantas vidas e fez tantas vítimas, é repugnante e horrível", afirma.

Na mensagem ao seu homólogo, o presidente da Assembleia da República defende ainda que "a repulsa" causada por estes ataques "é também uma convocação à reflexão sobre as causas do terrorismo".

Ela não nos inibe, todavia, de defendermos a nossa liberdade nem a nossa determinação de viver em paz e democracia", garante.

Em nome pessoal e da Assembleia da República, Ferro Rodrigues transmitiu o "mais profundo pesar, bem como a solidariedade para com as famílias das vítimas, as autoridades e o povo neozelandês".

Bruxelas manifesta “horror e profunda tristeza”

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, manifestou “horror e profunda tristeza” pelos ataques terroristas cometidos contra duas mesquitas de Christchurch na Nova Zelândia.

Foi com horror e profunda tristeza que soube do ataque terrorista à comunidade muçulmana em Christchurch, na Nova Zelândia”, afirma em comunicado o líder do executivo comunitário.

Jean-Claude Juncker endereça as “mais sinceras condolências aos entes queridos das vítimas e à comunidade como um todo”.

Desejamos força e coragem para os feridos e as suas famílias”, adianta, salientando que “este ato sem sentido de brutalidade sobre pessoas inocentes no seu local de culto não poderia ser mais oposto aos valores e à cultura de paz e unidade que a União Europeia [UE] partilha com a Nova Zelândia”.

Também a UE disse, através de um comunicado da Alta Representante para a Política Externa, estar “de luto”.

Estaremos sempre ao vosso lado contra aqueles que […] querem destruir as nossas sociedades e o nosso modo de vida”, refere Federica Mogherini, dirigindo-se ao povo neozelandês.

Na nota de Federica Mogherini manifesta “as suas sinceras condolências às famílias e amigos das vítimas dos dois atentados terroristas”.

Estamos totalmente solidários com o povo e as autoridades da Nova Zelândia neste momento extremamente difícil e estamos prontos para os apoiar de qualquer forma, inclusive fortalecendo a nossa cooperação para combate ao terrorismo”, assinala a responsável.

Federica Mogherini adianta que “os ataques a locais de culto são ataques a todos os que valorizam a diversidade e a liberdade de religião e expressão, que são o tecido da sociedade neozelandesa e compartilhados pela UE”.

Parlamento aprova voto de pesar

O parlamento português aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um voto apresentado pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, de pesar e condenação pelo atentado em duas mesquitas de Christchurch, Nova Zelândia.

Eduardo Ferro Rodrigues já tinha enviado uma mensagem de "pesar e solidariedade" ao seu homólogo neozelandês, Trevor Mallard, pelos "ataques terroristas odiosos”, ato que classificou de "repugnante e horrível".

Aqueles atos tão bárbaros foram premeditados para terem lugar a uma sexta-feira, quando as comunidades islâmicas enchem as mesquitas para rezarem em paz a sua oração semanal”, destaca, no texto aprovado.

Na mensagem ao seu homólogo e no texto do voto, o presidente da Assembleia da República defende ainda que "a repulsa" causada por estes ataques "é também uma convocação à reflexão sobre as causas do terrorismo", “à necessidade de o combater” e de defender os valores de liberdade, paz e democracia.