O Presidente da República afirmou, este domingo, que a intervenção dos países ocidentais no Afeganistão foi “um fracasso” e que, agora, é necessária uma clarificação da “situação do poder político”, com Bruxelas a promover uma via de diálogo com Cabul.

Eu diria o que disse a senhora Merkel, que, olhando para o que aconteceu, tem de reconhecer que foi um fracasso. Houve erros de informação, erros de conhecimento da realidade e erros de atuação”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado considerou, naquela que foi a primeira reação do presidente à retirada do exército americano do Afeganistão, que é necessário clarificar a atual situação do poder no país e compreender melhor o complexo tabuleiro político após a saída das forças militares americanas.

Tem de haver clarificação daquilo que é a situação do poder político num Estado que é soberano. Obedece a que constituição? Com que poder político? Com que forças envolvidas?”, questiona. 

Marcelo Rebelo de Sousa sublinha que, para que seja encontrada uma solução viável, o novo governo afegão terá de encontrar um caminho que respeite os direitos e as liberdades dos seus cidadãos e que não seja uma base de exportação de terroristas. 

(...) para que possa haver uma solução estável que a comunidade internacional respeite e que, por seu turno, não seja um albergue de terroristas, que respeite os direitos humanos e que não sacrifique os direitos das mulheres, porque isso são valores que vêm na carta das Nações Unidas e a União Europeia não pode deixar de as ter muito presentes. São princípios fundamentais da UE”, destacou.