O presidente do PSD afirmou esta terça-feira que não vê “problema rigorosamente nenhum” por um consultor de Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência se candidatar às europeias pelo Aliança, partido fundado pelo antigo líder social-democrata Santana Lopes.

Rui Rio disse aos jornalistas que já falou com o Presidente da República, “estão dadas as explicações”, e admitiu que “sinceramente” não considera que Marcelo Rebelo de Sousa, um antigo presidente do partido, “esteja a prejudicar o PSD em nada”, ao contrário do que pensa o ex-secretário-geral adjunto do partido João Montenegro.

Sinceramente, não considero que esteja a prejudicar o PSD em nada. [O Presidente] está no seu direito e o assessor dele também está no seu direito. Não vejo problema rigorosamente nenhum”, afirmou Rio, depois de assistir, com Marcelo Rebelo de Sousa, à missa, na Basílica da Estrela, em Lisboa, em memória de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, que morreram em 04 de dezembro na queda de um avião em Camarate, Loures.

O líder social-democrata lembrou, tal como Marcelo havia feito minutos antes, que existiram outros casos no passado de assessores do Palácio de Belém que foram candidatos em eleições.

E insistiu que “enquanto a lista não for entregue”, não vê “problema rigorosamente nenhum” na permanência de Paulo Sande como consultor da Presidência da República, nem incompatibilidade nesse aspeto dependa “do que faça” em Belém.

Rui Rio afirmou ainda que não vê que traga “alguma vantagem” o candidato do Aliança ser consultor em Belém.

As pessoas que estão na Presidência da República tem a mesma liberdade das pessoas que não estão na Presidência”, sublinhou ainda.

Hoje, em declarações ao jornal i, o ex-secretário-geral adjunto do PSD João Montenegro afirmou que "Marcelo está a ser conivente com a estratégia de um partido político e isso é inaceitável no nosso sistema político”.

Pedro Santana Lopes, fundador do partido Aliança, também esteve presente na missa, mas saiu, apressado, sem prestar declarações aos jornalistas, ao contrário do que aconteceu com Marcelo, Rui Rio e Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, partido fundado por Adelino Amaro da Costa.

Em resposta aos jornalistas, Rui Rio disse recusar "alimentar publicamente" questões internas, como as levantadas por Castro Almeida, seu vice-presidente, que, numa entrevista à Rádio Renascença e ao Público, defendeu umas "tréguas" para que partido "não caia num suicídio coletivo".

O líder social-democrata disse esperar que o "tempo ajude e não demore muito a perceber-se" que o PSD "tem, ao contrário do que alguns possam pensar, fortes hipóteses de iniciar um trajeto e em outubro estar em condições de ganhar as eleições e ter um grande resultado nas europeias" de maio de 2019.

Rui Rio disse saber o que está a dizer, pelo que lê do país, dado que os portugueses estão a começar a perceber que "as coisas" não estão nem como o primeiro-ministro diz nem "como o Governo as pinta".

Sei o que estou a dizer", afirmou, apontando "o desgaste deste Governo e da coligação governamental", dando, depois, o exemplo dos problemas nos serviços público, da falta de crescimento económico que é preciso, do atraso de Portugal relativamente à Europa.

Por isso, acrescentou, estão abertas "as portas a que o PS perca as eleições" legislativas, sendo depois necessário que "alguém as ganhe" e o PSD é "a única alternativa possível".

Rui Rio recusou ainda dizer o calendário da apresentação do candidato social-democrata às europeias de maio, porque, justificou, não quer contribuir para que o país entre "um ano em campanha eleitoral", primeiro, até maio, para as europeias, e depois, até setembro ou outubro, para as legislativas.