O presidente do PSD, Rui Rio, disse esta sexta-feira que, se fosse primeiro-ministro, o ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, já teria saído do Governo, porque ficou “fragilizado politicamente” com o caso do reaparecimento das armas de Tancos.

Em declarações aos jornalistas em Trancoso, Rui Rio frisou que “cabe ao primeiro-ministro dizer se o ministro da Defesa pode ou não, deve ou não, continuar”.

Mas, se fosse primeiro-ministro, Rui Rio “não tolerava uma situação destas”, por a considerar “absolutamente insustentável” por vários motivos.

Se eu fosse primeiro-ministro, o ministro da Defesa já tinha saído. Penso até que, através de conversas a dois, ele teria saído pelo seu próprio pé”, afirmou.

Segundo o líder social-democrata, “independentemente de ser verdade ou não ser integralmente verdade aquilo que tem vindo a público”, é “absolutamente inquestionável” que “o ministro da Defesa está fragilizado politicamente”.

Por isso, “não tem condições de se impor como ministro da Defesa, à frente das Forças Armadas, que requerem alguém com peso político e respeitabilidade inquestionável”, frisou.

A responsabilidade não é minha, é o primeiro-ministro que tem de decidir e responsabilizar-se por isso, de arrastar esta situação, ou não arrastar. Eu faria diferente. Já se arrastou demasiado tempo”, acrescentou.

Rio critica anúncio de medidas do OE “em ambiente de campanha eleitoral"

Rui Rio mostrou-se preocupado por as medidas do Orçamento de Estado (OE) estarem a ser anunciadas “em ambiente de campanha eleitoral”, com o BE e o PCP a competirem para ver “quem consegue mais”.

Em vez de (o OE) ser apresentado com a solenidade própria no dia 15 de outubro, vamos vendo que ou o BE, ou o PCP ou o PS vão deixando cair medidas. Umas poderão vir a ser verdade, outras não, mas todas com o mesmo cariz, em ambiente de campanha eleitoral”, lamentou.

Em declarações aos jornalistas em Trancoso, Rui Rio disse que “todos os dias sai uma ou outra notícia de coisas muito boas, de coisas muito agradáveis, de certa forma um certo bodo” aos eleitores.

Temos o BE e o PCP em competição a ver quem consegue mais e o PS vai dando para segurar esta solução parlamentar que encontraram há três anos”, criticou.

Nova PGR deve fazer trabalho “substancialmente melhor”

Rui Rio fez votos de que a nova procuradora-geral da República, Lucília Gago, faça um trabalho “substancialmente melhor” do que Joana Marques Vidal, particularmente na investigação criminal e no combate à corrupção.

Em declarações aos jornalistas em Trancoso, Rui Rio disse que, “independentemente de avaliar o último mandato da Joana Marques Vidal como mais positivo relativamente aos anteriores”, tem “alguma insatisfação com a performance” da Procuradoria Geral da República.

Melhorou, mas ainda está longe daquilo que eu gostaria que fosse. Particularmente na investigação criminal e no combate à corrupção, queria ver outra eficácia”, frisou.