A ANA Aeroportos ganhou mais quase mil milhões de euros desde a privatização, face às previsões que então apresentara então ao governo. Os dados foram revelados esta sexta feira em "Primeira Mão", espaço de informação semanal da TVI. 

Em causa está o EBITDA, ou "cash flow" operacional, principal indicador usado nas empresas para mostrar os ganhos da sua operação anual. Mostrando valores até aqui desconhecidos, o jornalista Pedro Santos Guerreiro revelou quais eram as previsões da Vinci - empresa francesa que ganhou no final de 2012 a concessão da ANA para 50 anos, pagando 3.080 milhões de euros ao Estado - que foram entregues naquele ano ao governo. Segundo essas previsões, a ANA teria um "cash flow" operacional entre os 200 e os 300 mlihões de euros por ano de 2013 a 2019. A realidade provou, no entanto, ser muito diferente. Ao todo, a ANA já acumula um ganho operacional adicional de quase mil milhões de euros.

Estes dados incluem estimativas para 2019, ano para o qual as contas não estão fechadas. Segundo Pedro Santos Guerreiro, o volume de negócios da ANA no ano passado terá rondado os 900 milhões de euros, para um EBITDA ("cash flow" operacional) próximo dos 600 milhões. Isto significa, afirma o jornalista, que a margem operacional da empresa está acima dos 60%. Mesmo a margem de lucro (que já inclui por exemplo custos financeiros e amortizações de investimentos) estará neste momento na casa dos 18%, indicou o jornalista. "Só há margens destas em monopólios, onde não há concorrência, como é o caso", afirmou.

Os resultados estão melhores do que o esperado sobretudo porque as receitas subiram com o disparo dos números de turistas, bem como pela subida das taxas aeroportuárias e pela gestão da Vinci. Mas os dados avançados em "Primeira Mão" mostram também que a ANA investiu menos 87 milhões nos aeroportos portugueses desde a privatização do que aquilo que tinha previsto na privatização, segundo os documentos então entregues ao Estado.

Recorde-se que, há uma semana, o ministro Pedro Nuno Santos afirmou em entrevista ao Expresso que a privatização da ANA tinha sido um negócio ruinoso para o Estado.

Segundo Pedro Santos Guerreiro, o governo quer agora aproveitar a negociação para o novo acordo para os aeroportos de Lisboa (expansão do Humberto Delgado e construção do Montijo) para renegociar todo o acordo original com a Vinci, a dona da concessão da ANA. Em causa está a reivindicação do governo de que a ANA aumente os seus investimentos em Portugal.