Isabel dos Santos está a ser investigada por vários casos, sendo o principal deles, neste momento, a suspeita de desvio de dinheiro da Sonangol para uma sociedade offshore controlada pela filha de José Eduardo dos Santos Santos, que ocorreu quando Isabel foi afastada da presidência daquela companhia de petróleos. Mas o caso não é único. Um outro caso, relativo à Unitel, foi apresentado hoje em "Primeira Mão", espaço de informação semanal do jornalista Pedro Santos Guerreiro na TVI.

A Unitel é uma grande empresa de telecomunicações angolana, que até hoje tinha como acionistas Isabel dos Santos, Sonangol, Portugal Telecom/Oi e a Geni, empresa ligada ao "general Dino". Cada um destes accionistas tinha 25% da empresa. 

Recorrendo a informação que está depositada na Bolsa de Nova Iorque, Pedro Santos Guerreiro explicou como em 2012 foram feitos empréstimos pela Unitel de quase 200 milhões de euros a uma empresa com sede na Holanda controlada por Isabel dos Santos; e que, em 2013, somou-se a esses empréstimos o pagamento de uma comissão de gestão pela Unitel de 150 milhões de dólares também para uma sociedade controlada por Isabel dos Santos. Segundo os mesmos documentos, estas transferências terão financiado o investimento da filha de José Eduardo dos Santos na portuguesa Zon, atual Nos.

Estas transferências criaram então um conflito com a Oi, que entretanto ficara com a posição da Portugal Telecom na Unitel. O caso acabou por levar a uma decisão em tribunal arbitral de Paris desfavorável a Isabel dos Santos. Hoje, foi anunciada a compra da posição da Oi pela Sonangol, que na prática compensou a empresa brasileira (que ficou com esta participação depois do desmancho da portuguesa PT) daquelas transferências. Entretanto, a participação de Isabel dos Santos na Unitel foi arrestada por ordem da justiça de Angola.

O mal-estar entre Isabel dos Santos e a então Portugal Telecom tem origens mais longínquas, desde que a empresa angolana, cuja administração era controlada por Isabel dos Santos, travou o pagamentos de dividendos do negócio aos seus acionistas, incluindo a então PT: o dinheiro não saía de Angola para Portugal, o que levantou críticas de Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, que então lideravam a operadora portuguesa de telecomunicações.

Segundo afirmou Pedro Santos Guerreiro, este caso mostra como o comportamento de Isabel dos Santos poderá ver a confirmar um padrão: desvio de dinheiros de empresa angolanas a seu favor, dinheiro que depois era usado para investir em novas empresas.