José Sócrates pediu, este sábado, contributos para o programa eleitoral socialista e contestou a ideia de estar a «fabricar uma nova imagem» desde a derrota nas eleições europeias, segundo informação da Lusa.

Depois de dizer que «o PS está sempre disponível para ouvir toda a gente», mas sem «abdicar dos seus valores, do seu programa e do seu projecto», José Sócrates contestou a ideia de que está «apenas a fabricar uma nova imagem».

«Vejo muita gente entretida a discutir o meu estilo, o meu estado de alma e até a construir a teoria de uma suposta mudança», referiu, argumentando em seguida que «nem a determinação é arrogância, nem a compreensão pode ser vista como táctica ou falta de firmeza».

«É apenas sentido das responsabilidades e o cumprimento de um dever democrático», completou.

«Já disse e repito: não subordinarei a nenhum interesse táctico de última hora aquela que é a minha responsabilidade nem como primeiro-ministro de Portugal, nem como líder do PS», afirmou Sócrates.

Participação viva

O secretário-geral do PS repetiu várias vezes a palavra «abertura», reclamando-a como marca dos socialistas, ao longo da sessão realizada em Lisboa, no âmbito do Fórum Novas Fronteiras.

«O nosso projecto é um projecto colectivo, que fica mais rico com o vosso contributo e que fica mais forte com o vosso apoio», afirmou o secretário-geral do PS, na abertura do seu discurso.

Sócrates fez um convite, «quero convocar todos aqueles que têm um contributo a dar para a definição de um programa político à altura dos desafios que enfrentamos».

No final da sua intervenção, José Sócrates reforçou que pretende uma «preparação colectiva, em ambiente de discussão viva e participada, do programa eleitoral com que o PS se apresentará às eleições legislativas para governar Portugal».

As escolhas

José Sócrates também falou das escolhas clara para o país. «A primeira escolha é entre combater esta crise mundial com ambição, com iniciativa e também com investimento público» ou «ficar à espera que a crise passe, com medo do futuro e com um preconceito ideológico contra tudo o que signifique intervenção ou iniciativa do Estado».

A segunda escolha é seguir «o caminho da modernização e das reformas para preparar um futuro para o país ou parar tudo, andar para trás e paralisar o país, cedendo a qualquer dificuldade ou interesse social».

«Esta é que é a escolha que há a fazer: avançar ou parar e andar para trás», frisou.

Mas, na sua perspectiva, ainda há uma terceira saída, que é entre «avançar na protecção social» e «garantir a matriz pública dos sistemas sociais» ou «recuar no Estado social, apostando no Estado mínimo e na privatização dos serviços de segurança social, de saúde e de educação».
Redação / TG