O primeiro-ministro, António Costa, disse hoje não haver motivos para ficar descansado relativamente aos incêndios florestais e que, por isso, todos os esforços em curso para os evitar têm de continuar a ser feitos.

“Não há nenhuma razão para não estarmos preocupados. Há é todas as razões para cada um, com as capacidades que tem, fazer o que lhe compete para diminuir o risco e para, havendo situações de risco, o enfrentarmos o melhor possível”, afirmou.

António Costa falava aos jornalistas no campo de futebol de Vista Alegre, no concelho de Cinfães, distrito de Viseu, onde está instalado o posto de comando operacional do Exercício Montemuro 18, promovido pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), com o objetivo de testar a capacidade de resposta operacional.

“Nós temos todos os motivos para nos mantermos preocupados. Conhecendo o nosso clima, conhecendo a nossa floresta, não há razão para não estar preocupado”, frisou.

Segundo o primeiro-ministro, perante esta preocupação, há que “agir de forma a prevenir, a responder prontamente” e com “a maior capacidade possível, para evitar que haja o menor número de ignições, a menor área ardida e, sobretudo, menor risco para a vida das pessoas e para os seus bens”.

António Costa pediu que se continue o esforço que tem havido na limpeza de matos e na criação de faixas de gestão e de interrupção de combustíveis e que se evitem “todos os comportamentos de risco”.

“Treinar para melhorar as capacidades é um esforço que tem que continuar a ser feito”, acrescentou, sublinhando a importância de “articular cada vez melhor as diferentes componentes, desde os bombeiros voluntários até aos militares das Forças Armadas”, integrando todas estas capacidades sob a direção da ANPC.

Na sua opinião, o exercício que a ANPC está a desenvolver nos distritos de Aveiro e de Viseu - que envolve 841 operacionais e 198 viaturas, de 20 entidades - é muito importante para “testar o funcionamento de todo este sistema”.

“Nós só reforçamos a nossa capacidade testando, ou seja, treinando”, frisou.

António Costa disse que “não são só as equipas que têm que treinar para jogar bem, toda esta grande equipa tem que treinar muito para poder funcionar bem”.

“Temos um adversário que é muito difícil, que tem a ver com as alterações climáticas, com a necessidade de gerir uma floresta que acumulou décadas de desordenamento, com comportamentos de riscos que são muito habituais e geradores de situações de risco efetivo”, avisou.

O primeiro-ministro lembrou que não há só incêndios quando eles começam a abrir telejornais: “infelizmente há incêndios todos os dias, eu creio que sábado passado houve 166 incêndios”.

“Não abriram telejornais porque felizmente o sistema respondeu e eles não ganharam a escala em que se tornam notícia. O objetivo é mesmo esse. Que não haja incêndios e, havendo, que eles sejam apagados o mais rapidamente possível”, frisou.