O secretário-geral do PS, José Sócrates, afirmou hoje, em Coimbra, que só por «birra» e «sectarismo» é que o PSD recusa o nome do constitucionalista Jorge Miranda, proposto pelos socialistas para Provedor de Justiça, escreve a Lusa.

«Não percebo as posições de sectarismo. Só por birra ou por se aceitar que não se pode agora aceitar uma proposta que venha dos outros é que se recusa um nome destes», disse José Sócrates, em declarações aos jornalistas no final da primeira sessão pública de apresentação de Vital Moreira como cabeça-de-lista do PS às eleições europeias.

Provedor: oposição critica «vexame»

Sócrates declarou que Jorge Miranda não é do PS mas «uma personalidade independente», classificando-o como «apenas, talvez, o melhor nome» para servir o país no cargo de Provedor de Justiça.

José Sócrates frisou que o PS vai dialogar com todos os partidos, «incluindo com o PSD», no sentido de se «procurar um consenso» para a eleição de Jorge Miranda como Provedor de Justiça, que necessita de uma maioria de dois terços no parlamento.

«O lugar de Provedor de Justiça foi ocupado nos últimos 19 anos por personalidades do PSD, o PS não tem nenhuma visão instrumental do Provedor de Justiça», disse.

«Alguém deve ter ensandecido»

«O que queremos é que o Provedor de Justiça seja uma personalidade de relevo, que os portugueses olhem para ele como uma referência na protecção dos direitos dos cidadãos e ninguém melhor do que o professor Jorge Miranda», acrescentou.

Também questionado sobre a questão do Provedor de Justiça, Vital Moreira lembrou nomes como Freitas do Amaral, Rui de Alarcão ou António Arnault, anteriormente mencionados para o cargo, considerando que «alguém deve ter ensandecido» para os recusar.

«Algo de errado ou insano aconteceu para se recusar pessoas desse gabarito», frisou.
Redação / PP