O secretário-geral do PS, António Costa, apresentou, formalmente, neste sábado, o ministro Pedro Marques como cabeça de lista dos socialistas às eleições europeias, durante o discurso que proferiu na sessão de encerramento da Convenção Europeia do seu partido.

Com o mandato que me foi conferido pela Comissão Política Nacional do PS, escolhi o nosso camarada Pedro Marques para encabeçar a lista do nosso partido às eleições europeias", declarou o líder socialista.

Esta escolha de António Costa para "número um" da lista europeia do PS força a que seja operada uma remodelação do Governo nos próximos dias, com a substituição de Pedro Marques nas pastas do Planeamento e das Infraestruturas.

Na sua intervenção, o líder socialista considerou que Pedro Marques é "um excelente quadro da geração abaixo da sua", o que garante renovação, assim como alguém "com provas dadas na ação governativa".

Enquanto governante, tanto como secretário de Estado da Segurança Social, como na qualidade de ministro dos Planeamento e das Infraestruturas, António Costa defendeu que Pedro Marques deu provas de conhecer bem o tecido social e o território nacional, assim como os mecanismos do acesso aos fundos comunitários.

Escolhi alguém que está em boas condições de dar continuidade à boa tradição dos cabeças de lista europeus do PS, porque é alguém que conhece profundamente o país e que, durante anos, na qualidade de secretário de Estado da Segurança Social, conheceu como ninguém não só as realidades sociais, como também as instituições do terceiro setor", apontou António Costa.

De acordo com António Costa, já como ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques "conheceu com profundidade o território nacional - não há autarca com quem não tenha falado".

Se precisamos de alguém para nos representar em Bruxelas, tem de ser alguém que conheça bem o país dos pontos de vista social e do território, não tendo dúvidas sobre as necessidades dos portugueses", alegou também.

António Costa defendeu ainda que Pedro Marques, no seu Governo, demonstrou "visão de futuro", estando na primeira linha da elaboração do Programa Nacional de Reformas e do Programa Nacional da Infraestruturas, na reprogramação do Portugal 2020 e na definição estratégica dos fundos comunitários do Portugal 2030.

O novo cabeça de lista do PS é. no seu entender, "alguém com conhecimento profundo das instituições europeias, tendo trabalhado com elas nos domínios do Fundo Social Europeu, do FEDER ou dos fundos de coesão".

Mas o líder socialista avançou ainda com um argumento de ordem partidária, frisando que do último congresso do seu partido, em 2018, saiu a determinação de haver "uma renovação geracional".

É altura do PS apostar nos excelentes quadros que tem na geração abaixo da minha, assegurando a renovação", argumentou.

António Costa deixou também um elogio ao cabeça de lista do PS nas últimas eleições europeias, Francisco Assis, dizendo esperar que continue empenhado ao serviço do seu partido e mostrando-se seguro que "ainda exercerá muitas funções nesta força política".

Mas, para não quebrar a tradição, não renovámos o cabeça de lista. É sempre muito difícil escolher um cabeça de lista no PS, porque são tantos os bons e as boas candidatas. Mas se é difícil escolher, só há uma solução: Escolher", disse.

Pedro Marques acusa Rangel de tentar apagar da memória discursos catastrofistas

O cabeça de lista do PS às eleições europeias, Pedro Marques, acusou hoje o seu adversário social-democrata Paulo Rangel de pretender apagar da memória afirmações contra o atual Governo prevendo que Portugal se sujeitaria a novo resgate.

Estas posições foram assumidas por Pedro Marques no discurso de encerramento da Convenção Europeia do PS, após ter sido anunciado pelo secretário-geral, António Costa, como cabeça de lista deste partido às eleições de 26 de maio próximo.

Pedro Marques, que em breve abandonará as funções de ministro do Planeamento e das Infraestruturas, anunciou que o diretor da sua candidatura será o presidente da Câmara de Mangualde, o socialista João Azevedo.

"O João Azevedo é bem representativo desta nova geração de autarcas que tanto honram o PS, vem do interior e sabe bem o que é o poder de uma autarquia para mudar a vida das pessoas", justificou.

Na sua intervenção, Pedro Marques começou por considerar que o Governo de António Costa foi um exemplo na União Europeia em termos de conciliação de contas rigorosas e avanços sociais.

Quando nem a Europa acreditava que conseguíamos, nós demonstrámos que este novo contrato social era possível. Foi possível em Portugal, tem de ser possível na Europa. Na mesma altura em que fazíamos esta mudança de políticas em Portugal, lutávamos na Europa para evitar sanções de Bruxelas a Portugal. Pois nesse momento, tivemos Manfred Weber, o candidato do PSD e do CDS à Comissão Europeia, como principal rosto da exigência de sanções contra Portugal", sustentou.

Neste contexto, Pedro Marques referiu-se depois à atuação do ex-presidente do PSD Pedro Passos Coelho e do cabeça de lista social-democrata às eleições europeias, Paulo Rangel, na oposição ao atual executivo, dizendo que Portugal teve "cassandras da direita a dificultar a tarefa, anunciando o Diabo".

Na onda de Passos Coelho, lá vinha Paulo Rangel, na Universidade de verão de 2016 do PSD, dizer que o futuro de Portugal é uma parede e que, inevitavelmente, seria conduzido a um novo resgate. Três anos passados, ontem mesmo [na sexta-feira], Manfred Weber esteve a passear, ali, do outro lado do rio, no Porto, com Paulo Rangel, a pedir o voto dos portugueses."

Para Pedro Marques, o PSD e o PPE, "há três anos, pediam sanções e punham em causa os esforços de Portugal para sair do procedimento por défices excessivos".

Agora vêm aqui pedir o voto dos portugueses. Eles não têm memória, não se querem lembrar do mal que fizeram. Mas nós lembramo-nos bem, e os portugueses não se esquecerão", declarou.

O "número um" da lista manifestou-se preocupado com a atual situação da União Europeia, observando que está numa "encruzilhada em que é preciso escolher um só caminho".

Escolher entre a Europa dos populistas ou a Europa dos progressistas. Dos nacionalistas ou dos europeístas. Escolher entre uma Europa que exclui ou uma Europa que integra. Uma Europa de países mais ricos com cidadãos mais pobres; ou uma Europa com mais emprego e menos desigualdades", sustentou.

De acordo com o cabeça de lista socialista, o PS "não tem dúvidas".

Somos progressistas e somos europeístas. Não queremos a Europa da Troika nem a Europa do 'Brexit'. Queremos uma Europa unida, solidária, que não se fragmenta e não embarca em aventureirismos", afirmou, aqui numa nota de demarcação face às forças políticas à sua esquerda.