O líder parlamentar do PS considerou, nesta quinta-feira, "precipitadas" as declarações proferidas sobre congelamento ou aumentos salariais na função pública no próximo ano, defendendo que a questão só se deve colocar na discussão do Orçamento para 2019.

Esta advertência foi transmitida por Carlos César no final da reunião semanal do Grupo Parlamentar do PS, depois de ter sido confrontado com recentes afirmações feitas pelo porta-voz socialista, João Galamba, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ambas no sentido de afastar aumentos salariais na função pública em 2019.

O que é certo é que em 2019 essa matéria será objeto de decisão oportuna. Não estamos numa altura em que se possa dizer isso ou o contrário com todo o grau de certeza", começou por responder o presidente do PS.

Carlos César foi depois um pouco mais longe na reação a essas posições. 

Acho que uma declaração sobre essa matéria [aumentos salariais em 2019] pode ser precipitada", frisou.

Confrontado especificamente com a posição assumida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros em entrevista ao jornal francês Les Echos, durante a qual defendeu que o Governo não pode comprometer-se com "despesas insustentáveis" e que não se pode "enviar [para o exterior] a mensagem errada", o presidente do PS recusou-se a fazer qualquer tipo de apreciação política.

Já disse o que tinha a dizer sobre essa matéria e não estou a criticar ninguém. Quem quiser sangue que procure outra arena", disse.

PCP é “poderoso” e “influente” na maioria de esquerda

O líder parlamentar do PS procurou ainda desdramatizar os avisos feitos ao Governo socialista pelo secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, frisando que o PCP é um partido "poderoso" e "influente" dentro da atual maioria de esquerda.

Carlos César falava aos jornalistas no final da reunião semanal da bancada do PS, depois de confrontado com as advertências transmitidas por Jerónimo de Sousa em entrevista à Rádio Renascença e ao jornal Público, durante a qual afirmou que "não se pode estar bem com Deus e com diabo ao mesmo tempo" e que as contradições com o Governo socialista podem tornar-se "insanáveis".

Confrontado com estas declarações de Jerónimo de Sousa, o líder da bancada do PS preferiu antes acentuar que "em democracia os partidos distinguem-se uns dos outros pelas opções que têm sobre as mais diversas matérias".

"O PS tem divergências com o PCP, como tem com os restantes partidos. Mas a verdade é que na atual fase do país e em torno do projeto governativo há uma confluência muito maior do PS com o PCP, Bloco de Esquerda e PEV do que com o PSD e com o CDS-PP", sustentou Carlos César.

De acordo com o presidente do PS, tem sido "essencial" para a estabilidade política e para a execução do projeto do Governo "a capacidade de consensualização em torno de matérias fundamentais com o PCP, Bloco de Esquerda e PEV".

Carlos César deixou mesmo um elogio político aos comunistas, considerando que o PCP "tem sido um parceiro muito poderoso e muito influente na política do Governo".

"Temos beneficiado muito com a sua contribuição, mas isso nunca significará que o PS se confunda com o PCP, ou que tenhamos sobre todas as matérias as mesmas posições", ressalvou o líder da bancada socialista.

Questionado se a confluência de posições entre PS e PCP é agora menor do que no início da presente legislatura, Carlos César disse não saber fazer uma avaliação nesse sentido.

"Há períodos da nossa vida política em que determinados assuntos, ou determinadas matérias, têm maior relevância. Se, por acaso, em torno dessas matérias não houver acordo entre os diferentes partidos, isso também se torna mais saliente", alegou o ex-presidente do Governo Regional dos Açores.

Para Carlos César, em suma, o PS "sente que a colaboração que tem mantido com o Bloco de Esquerda, PCP e PEV é estável e muito leal".

"Apreciamos também que aqueles que, embora sendo apoiantes e parceiros da solução governativa, tenham posições diferentes e o façam com toda a lealdade e com todo o direito que têm de tornar isso público", acrescentou.