O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, reiterou esta quarta-feira a independência do PCP e atirou o ónus da estabilidade política, nomeadamente em termos de governação para a próxima legislatura, para as mãos do PS.

Mantendo o PCP a sua iniciativa e intervenção, tal como aconteceu nos últimos anos, será em função das opções do PS, dos instrumentos orçamentais que apresentar e do conteúdo do que legislar que o PCP determinará, como sempre, com inteira independência política, o seu posicionamento, vinculado que está aos compromissos que assumiu com os trabalhadores e o povo”, disse.

O líder do PCP falava aos jornalistas após receber na sede nacional dos comunistas, em Lisboa, uma comitiva socialista, liderada pelo seu homólogo e primeiro-ministro, António Costa, acompanhado pelo presidente e ainda líder parlamentar do PS, Carlos César, da secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, e do ainda secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro.

O PCP não acompanhará e dará combate às manobras artificiais de desestabilização inseridas na dinâmica revanchista de setores e forças reacionárias, como não contribuirá para alimentar quadros ilusórios de convergência, desligados de conteúdo concreto que os enforme, e que, a partir de uma ou outra medida, iludam opções estruturantes que limitem ou impeçam a resposta que se exige aos problemas do país”, ressalvou o secretário-geral comunista.

Os socialistas chegaram à rua Soeiro Pereira Gomes pelas 16:07 e abandonaram o edifício às 17:48, dirigindo-se para a sede do BE para outro encontro exploratório, como os anteriores, com "Os Verdes", PAN e Livre. A reunião entre representantes do PS e do PCP durou cerca de hora e meia.

Não há nenhum obstáculo à entrada em funções do Governo nem nenhum problema de estabilidade colocado para lá do que a ação política do Governo tem de assegurar. Assim foi ao longo de décadas com largas maiorias de governos minoritários como o que agora cessa funções. A estabilidade de qualquer Governo depende sempre da correspondência entre a política que executa e as aspirações e anseios dos trabalhadores e do povo”, continuou Jerónimo de Sousa.

Jerónimo de Sousa voltou a rejeitar a necessidade de haver um documento bilateral escrito de entendimento, justificando a sua existência há quatro anos somente pela insistência do então presidente da República, Cavaco Silva.