«Ignorante é quem não conhece o programa Novas Oportunidades». A frase de José Sócrates foi dita de manhã, na Figueira da Foz, e repetida à hora do almoço, em Ourém, para que a mensagem não fosse esquecida. No dia em que a caravana socialista arranca oficialmente para a estrada nesta campanha eleitoral, o líder socialista insiste no tema que «toca» a «um milhão de portugueses» e noutro que afecta bem mais: a «defesa» do Serviço Nacional de Saúde. Ambos, segundo garante, debaixo do ataque do PSD.

A campanha começou a meio da manhã, mas Rosa Amélia, peixeira da Figueira da Foz, começou cedo em grande euforia. Se não fosse ela, não se ouvia gritar «PS, PS» de peito cheio pelo centro do antigo bastião de Santana Lopes, na arruada inaugural da campanha socialista (pelo menos não havia lá ninguém como ela). O pregão para a campanha já estava pronto: «O PS aquece!», exalta ela, momentos antes de José Sócrates surgir na Avenida da República. À sua espera já estava a ministra da Saúde, Ana Jorge, oficial guardiã do Serviço Nacional de Saúde. Levava uma mensagem que os socialistas querem difundir em repeat por estes dias: «O dr. Passos Coelho não percebe nada do Serviço Nacional de Saúde», garantiu.

Mais adiante na calçada portuguesa da baixa figueirense, Ana Jorge havia de subir ao púlpito para reforçar a mesma ideia. Era a deixa para José Sócrates fazer o discurso inaugural da caravana socialista, o primeiro de muitos, mas desta vez em versão condensada a pouco mais de cinco minutos, num discurso repleto de críticas ao programa da Saúde e da Educação de Passos Coelho.

A caravana seguiu viagem para Ourém, onde um pavilhão com «mais de mil» militantes o aguardava para almoçar. Os discursos vieram primeiro, e antes disso, o «Vader do Fraque», numa acção provocatória do blogue «31 da Armada», ainda tentou cobrar-lhe a factura de «700 mil desempregados». Não teve sorte na sua missão. «Ainda não consegui entregar nenhuma», lamentou-se.

Lá dentro do pavilhão, os discursos vieram antes do arroz de pato. Paulo Fonseca, presidente da Câmara de Ourém, deixou duras críticas a Passos Coelho, o alvo de todas as censuras por estes lados. «O outro nunca foi nada e vai continuar a não ser nada», atirou, referindo-se ao líder «laranja».

Seguiu-se António Serrano, cabeça-de-lista por Santarém, com mais mensagens à cúpula do PSD: «Não podemos confiar em alguém que todos os dias vê militantes a saírem da sua volta... uns vão para o Brasil», atirou, numa referência a Eduardo Catroga que aí se encontra de férias.

Presentes no recinto em ambiente de bandeiras levantadas, ovações ao PS e salvas de palmas encontravam-se vários políticos locais além dos cabeças de lista por Santarém e Leiria, António Serrano e Basílio Horta, respectivamente. Nos estreantes, destaque para o famoso Telmo do reality-show «Big Brother», agora «comando» na lista socialista leiriense.

José Sócrates voltou a gastar boa parte do seu discurso nas críticas ao líder social-democrata, que «insultou» os «500 mil portugueses» que «tiveram uma nova esperança» quando regressaram à escola e agora «são 500 mil pessoas felizes», garante. «Isto agora é mesmo muito a sério. E a escolha é esta: ou nós queremos combater esta crise mantendo o modelo social europeu aqui no nosso país, ou queremos, como quer o PSD, aproveitar esta crise para pôr em causa os fundamentos do modelo social europeu».

A caravana segue para a última etapa do dia: um comício na Praça Giraldo, em Évora. Siga a caravana do PS ao minuto.

Paula Oliveira