O deputado Paulo Trigo Pereira, eleito como independente nas listas do PS vai abandonar a bancada socialista, tornando-se deputado independente. A decisão já foi comunicada a António Costa, Carlos César e Ferro Rodrigues.

Ao que a TVI apurou, o incómodo do deputado junto do grupo parlamentar não é de agora, mas agravou-se durante o processo de discussão do Orçamento do Estado na especialidade.

Paulo Trigo Pereira, que era até agora vice-presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, não teve margem para apresentar propostas para o Orçamento e, em 20 matérias, respeitou a disciplina de voto, mas deixou expressas divergências com a orientação do PS, através de declarações de voto. O IVA das touradas e a contagem do tempo de serviço dos professores foram algumas delas

O professor universitário Paulo Trigo Pereira integra a bancada socialista desde as eleições legislativas de 2015. Paulo Trigo Pereira, 59 anos, estava integrado no grupo parlamentar do PS como deputado independente e era o parlamentar que mais vezes votou desalinhado das posições oficiais da direção da bancada. O especialista em Economia e professor catedrático foi eleito nas legislativas de 2015 pelo círculo eleitoral de Setúbal.

O deputado Paulo Trigo Pereira, ao contrário de outros deputados que também não são membros do PS, nunca se sentiu bem com os condicionamentos próprios que resultam de integrar um grupo. Creio que se sente mais confortável assim, pelo que respeitamos a sua decisão”, disse à Lusa fonte do grupo parlamentar do PS.

O professor universitário Paulo Trigo Pereira queixa-se de uma atitude "paternalista" do Governo e de ter sido afastado nos mais importantes debates sobre finanças.

Estas críticas constam de um comunicado de Paulo Trigo Pereira, no qual também salienta que deixou as suas funções de vice-presidente da Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República.

Acontece que, particularmente nos últimos dois anos, a atitude do Governo perante o grupo parlamentar do PS tornou-se mais paternalista (vidé todo o processo de descentralização) e os meus votos desalinhados, mas justificados em declarações, levaram a um afastamento mútuo entre mim e a direção" da bancada socialista, justifica o especialista em finanças públicas.

No texto, Paulo Trigo Pereira queixa-se da atuação da direção do Grupo Parlamentar do PS em relação a si em debates como o do Programa de Estabilidade ou o Orçamento do Estado para 2019 (OE2019).

Quando a direção do Grupo Parlamentar do PS não dá a palavra em plenário ao seu vice-presidente da Comissão de Orçamento e Finanças nos debates mais importantes sobre finanças públicas (OE2019 e Programa de Estabilidade), como aconteceu este ano, e não esclarece porque é que certas propostas de alteração ao Orçamento são rejeitadas, está esclarecido o lugar que a direção da bancada atribui ao seu vice-presidente", refere no mesmo comunicado.