O secretário-geral do PS fez esta segunda-feira um discurso contra «a tirania do dinheiro e dos mercados» e acusou Passos Coelho de ser um primeiro-ministro que apenas tem como saídas para a crise o empobrecimento e a emigração.

António José Seguro falava na sessão de apresentação do Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal (LIPP), entidade que substituirá o gabinete de estudos do PS e que tem como objetivo preparar um programa político para apresentar nas eleições legislativas de 2015, tendo como horizonte de aplicação 2024.

No seu discurso, que durou cerca de 25 minutos, o secretário-geral do PS fez basicamente a defesa do Estado social contra lógicas neo-liberais e criticou o caminho seguido pelo atual Governo.

Segundo Seguro, Portugal é governado por «um líder de braços caídos, como o atual primeiro-ministro, que representa o oposto do que se exige a todos».

«Como pode um povo ser governado por alguém que aponta como saídas para a crise o empobrecimento e a emigração?», questionou o líder socialista.

Em termos de doutrina política, Seguro fez um violento ataque à lógica neoliberal, que apelidou de «tirania do dinheiro e dos mercados».

«Os mercados financeiros criaram os seus próprios instrumentos, capturaram o Estados e impõem a sua receita. Consequência: Recessão económica, mais desempregados, mais precariedade, mais pobreza e mais exclusão social», sustentou o secretário-geral do PS, antes de deixar uma advertência.

«A democracia não pode sobreviver perante tamanhas injustiças face a tantas desigualdades, perante o declínio da classe média, face a partidos distantes dos problemas das pessoas e confrontada com a geração mais qualificada de jovens portugueses cujo desemprego atinge os 35 por cento», apontou.

Como alternativas, Seguro propôs genericamente o caminho da qualificação, da criatividade, da inovação, da investigação e da aposta nas energias verdes, num discurso em que também defendeu a componente pública dos sistemas de saúde, de educação, de Segurança Social e o acesso à justiça.

«Sectores como a saúde, a educação, a Segurança Social e a Justiça não podem estar sujeitos aos critérios do mercado ou funcionarem como assistencialismo ou caridade, apanágio do atual Governo», afirmou em nova crítica dirigida ao executivo PSD/CDS.

O secretário-geral do PS prometeu uma «rutura política» e anunciou que apresentará aos portugueses um programa com horizonte até 2024, sendo sujeito a votos em 2015 e tendo um calendário de aplicação de nove anos.

«O LIPP não é criado em véspera de eleições para eleitor ver, é uma proposta a pensar em 2024. O resultado do seu trabalho será apresentado aos portugueses em 2015, para executar em duas legislaturas», declarou o secretário-geral do PS.

Segundo o líder socialista, o programa político do seu partido terá «três anos de preparação e nove anos de execução». «É necessário que o próximo Governo de Portugal se prepare bem. Saiba o que quer para Portugal e tenha uma estratégia e um caminho a seguir», justificou Seguro.

Mas o secretário-geral do PS deixou também uma crítica ao passado recente da política no país. «O portugueses pagaram e pagam caro e com muitos sacrifícios os experimentalismos políticos e a navegação à vista. É necessário uma rutura política, a começar pela própria forma de fazer a política.

Prometi fazer política de uma forma diferente, nem sempre sou bem compreendido, mas este é o caminho certo, o caminho que aproxima a política das pessoas e as pessoas da política», sustentou.