Depois de um discurso de cerca de 40 minutos em que Sócrates atacou directamente o PSD, foi da bancada laranja que surgiu a primeira interpelação ao Governo. O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, começou por apelidar o Primeiro-Ministro de «Sócrates no país das maravilhas» porque «Consegue vir a este parlamento fazer discurso do estado da nação sem falar dos três principais problemas do país: desemprego, divida externa e défice».

«Vem falar de consolidação orçamental quando tem as contas públicas num estado pior do que as encontrou», afirmou Rangel.

O líder parlamentar laranja diz ainda que, «assim como Guterres ficou conhecido como Primeiro-Ministro do diálogo, Sócrates será conhecido como o Primeiro-Ministro dos anúncios». «A sua especialidade é fazer anúncios, mas não é cumpri-los e por isso, a 2 meses das eleições quando sabe que não vai poder cumpri-los, não resistiu a fazer dois anúncios».

Rangel deixou então, no âmbito dos três D, três perguntas a José Sócrates: «Como está o pagamento das dívidas às PMEs? Qual é a taxa de execução do Qren e se está satisfeito com ela? Já desistiu da auto-estrada cor-de-rosa? E acha bem ou acha mal que os computadores Magalhães tenham sido adjudicados a uma empresa sem concurso público?»

«Não me puxe pela língua», diz Sócrates a Rangel

Na resposta, Sócrates começou por recusar o irrealismo. «Eu comecei o discurso com realismo, dizendo que esta é a pior crise desde a II Guerra Mundial e pensei que o sr deputado ia explicar por que considera a crise como um abalozinho de terras a que o Governo tinha obrigação de responder», disse.

«O dever da oposição era ao longo destes 4 anos poder explicitar uma linha política, mas o PSD nunca foi capaz de apresentar uma proposta alternativa».

Sócrates defendeu ainda as medidas do Governo, voltando a defender que pôs «as contas públicas na ordem». «Este governo teve em 2007 e 2008 os menores défices orçamentais». «Quanto a orçamento, não me puxe pela língua», diz Sócrates a Rangel, lembrando-o do orçamento das trancinhas, quando Rangel esteve no Governo. «Faltava dinheiro para Saúde, para a Educação», etc.

No que diz respeito aos fundos europeus, Sócrates afirma que «o Proder negociado por este Governo é o maior pacote de sempre da economia portuguesa. Nenhuma verba do Proder está perdida ou teve de ser devolvida». «Em 2008 Portugal estava em 2º lugar em pagamentos do FEDER e Fundo Social Europeu», adiantou.

O Primeiro-Ministro lamentou ainda que o PSD tenha seleccionado como tema de ataque político ao Governo o Magalhães. «O sr deputado não sabe nada do que está a falar. O Magalhães é comprado pelas operadoras e não pelo Governo», afirmou.
Sara Marques / Hugo Beleza