O PSD levou o tema da saúde para o debate quinzenal com o primeiro-ministro, esta sexta-feira, no Parlamento, criticando o estado dos serviços e o aumento da dívida do Serviço Nacional de Saúde.

O Tribunal de Contas diz que em relação a 2016 houve um agravamento de 21,4% e relativamente a 2014 um agravamento de 52% relativamente à dívida do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O TC acrescenta ainda que o SNS acumulou resultados negativos. A ideia é deixar o SNS ao Deus dará?", questionou Fernando Negrão.

Negrão lembrou os números da dívida do SNS, vincando que no final da legislatura do anterior Governo PSD/CDS esta tinha sido reduzida para 1,4 mil milhões de euros e que, em 2018, a dívida aumentou para 1,9 mil milhões.

O que quer dizer que estamos a entrar numa curva ascendente em relação à dívida", sublinhou.

Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, disse que "é mau haver dívida, mas isso não significa que a saúde dos portugueses ficou ao Deus dará".

Este aumento da despesa não é só gastar mais, as consultas nos cuidados de saúde primários aumentaram 589 mil. Houve mais 204 mil consultas hospitalares, mais cirurgias, o que significa que se ainda nos falta continuar estamos hoje melhor do que estávamos há quatro anos".

Antes, o líder parlamentar social-democrata criticou o estado dos serviços de saúde no país com casos concretos. Negrão frisou que a espera por uma consulta de cardiologia em Penafiel é de quase quatro anos e que, mesmo que se trate de uma situação prioritária, é de quase um ano.

Este é o estado em que o Governo pôs a saúde em Portugal, as vítimas são os portugueses e as vítimas são os mais frágeis e mais carenciados", atirou o social-democrata. 

Costa reconheceu "que em muitos serviços do SNS não estamos a fazer ainda o que é necessário fazer".

"Recuperámos ao longo desta legislatura, os cortes em despesa de saúde da legislatura anterior. Foram 1300 milhões de euros que tinham sido cortados e que foram repostos, temos mais 9.0000 profissionais", respondeu o primeiro-ministro.

Se hoje há problemas imagine em que ponto estaríamos nós se isto não tivesse acontecido?", questionou Costa.

"Hoje estamos melhor, mas sabemos que há ainda muito para fazer", concluiu.

O tema da saúde continuou a ser debatido, mais tarde, pela líder do CDS, Assunção Cristas, que falou numa "onda de demissões inédita" de diretores e coordenadores de unidades de saúde em 2018.

É uma onda verdadeiramente inédita no nosso país e tem de ter algum significado. Qual é o significado que lhe dá, senhor primeiro-ministro.?"

Costa respondeu, contrapondo que as demissões "revelam as dificuldades de gerir um sistema onde depois de quatro anos de cortes brutais se acumularam muitas dificuldades na gestão do dia a dia".

Mas a líder centrista voltou a insistir: "O senhor desvaloriza olimpicamente o que se passa à sua volta. Os senhores diretores demitem-se porque estão desesperados por promessas incumpridas, por investimentos que não faz e por contratações que não autoriza", destacou.

O Bloco de Esquerda, por Catarina Martins, também tocou na saúde na sua intervenção para dizer que há "três problemas" centrais no setor, "a sua suborçamentação, a falta de um regime de carreiras e a sangria de dinheiros públicos para o privado" e que "para nenhum destes problemas a direita tem respostas".

Por sua vez, o PCP afirmou que as reivindicações dos profissionais de saúde não convergem com a privatização dos serviços que defendem PSD e CDS.

As justas revindicações dos enfermeiros dos médicos e de outros setores convergem com a defesa dos serviços públicos e não com a privatização que defendem PSD e CDS", afirmou Jerónimo de Sousa.