Luís Montenegro, candidato à liderança do PSD, esteve no Jornal das 8 da TVI, esta segunda-feira, para a primeira entrevista, com Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares, depois de anunciar a candidatura à presidência do partido.

Na última sexta-feira, Rui Rio foi desafiado pelo ex-líder parlamentar a convocar eleições diretas antecipadas. O atual presidente rejeitou, optando por submeter a direção a um voto de confiança do Conselho Nacional, a realizar na quinta-feira.

À TVI, Luís Montenegro começou por explicar por que motivo decidiu candidatar-se, nesta altura, à liderança. O social-democrata explicou que “Rio não foi capaz de unir o partido”.

A estratégia de Rui Rio tem maus resultados”, afirmou.

Montenegro disse ainda que, depois do anúncio da candidatura, “não houve uma única pessoa a dizer que Rui Rio não está a fazer um bom trabalho”.

À pergunta sobre a preferência de eleições diretas a um Conselho Nacional, o antigo líder parlamentar do PSD diz que uma “alteração de liderança pressupõe a participação dos militantes”.

A minha opção era ouvir militantes e não conselheiros nacionais”, destacou o candidato.

O antigo líder parlamentar do PSD reiterou, como já tinha dito hoje à tarde após a audiência com o Presidente da República, que não vai a votos no Conselho Nacional da próxima quinta-feira, no qual será discutida e votada uma moção de confiança à direção, proposta pelo presidente, Rui Rio.

Eu não vou a votos no Conselho Nacional: não fui eu que promovi a moção de confiança – nem podia – e também não fui eu que promovi a tentativa de moção de censura, que também não podia porque não sou conselheiro”, disse.

Questionado se uma aprovação da moção de confiança significará uma derrota política, Luís Montenegro respondeu negativamente.

Não é a minha derrota política. É a opção do dr. Rui Rio de não ouvir os militantes e ouvir um órgão no qual à partida - pelo menos é o que ele pensa – tem mais vantagem”, declarou.

Afirmando que “Rio tem servido de muleta para o PS”, Montenegro promete combater o atual Governo se for eleito.

Ajudarei a combater o PS e ajudarei a combater o Dr. António Costa, porque acho que o país merece uma alternativa capaz, competente, mobilizadoras e que possa vencer eleições”, sublinhou.

Quando questionado acerca do que o distingue de Rui Rio, Luís Montenegro apresentou algumas das ideias e propostas caso seja eleito líder do PSD.

O ex-líder parlamentar diz propor “unidade, atitude e prioridades”. Entre as prioridades, diz ser uma das fundamentais a procura de melhores condições de vida para a classe média.

Classe média está fustigada por impostos”, afirmou. "Estamos a viver num cenário de sucesso económico que não é real".

Estou contra as 35 horas", destacou o candidato sobre o horário de trabalho da Função Pública, afirmando que as 40 horas eram “uma medida estruturante” e que, a haver uma alteração na carga horária da administração pública, devia ser “em paralelo com o setor privado”.

Quando aos professores, destacou a “intransigência” na forma como os professores têm apresentado as reivindicações.

Tenho muitas dúvidas na reivindicação dos professores", disse. “Já percebemos que não há condições financeiras para acolher as pretensões dos professores, mas acho que devemos perceber uma outra coisa: deve ser aplicado aos professores um mecanismo de atualização das carreiras equivalente ao resto da administração pública”.

Luís Montenegro deixou claro na entrevista que “o objetivo é vencer as eleições” e que o “PSD tem de representar 30 ou mais por cento da população”.

O social-democrata falou ainda do encontro desta segunda-feira com Marcelo Rebelo de Sousa.

Pedi uma audiência ao Presidente da República”, adiantou, esclarecendo que o fez por acreditar que o chefe de Estado deve estar a par da atualidade dos partidos políticos.

O Conselho Nacional do PSD reúne-se extraordinariamente na quinta-feira, no Porto, às 17:00, para discutir e votar a moção de confiança à direção de Rui Rio.

O artigo 68.º dos estatutos do PSD determina que “as moções de confiança são apresentadas pelas Comissões Políticas e a sua rejeição implica a demissão do órgão apresentante”.

A reunião surge depois de o antigo líder parlamentar do PSD Luís Montenegro ter pedido a convocação de eleições diretas antecipadas e de Rui Rio ter rejeitado o repto e decidido submeter a direção a um voto de confiança do Conselho Nacional.