As primeiras reacções à declaração de Cavaco Silva sobre a polémica das escutas são unânimes em considerar graves as eventuais falhas de segurança na Presidência da República, referidas esta noite pelo Chefe de Estado.

Marques Guedes disse em nome do PSD que «esta declaração do senhor Presidente da República confirma a suspeita de que as comunicações da Presidência da República podem não ser totalmente seguras». «Essa é uma vulnerabilidade preocupante e que, naturalmente, carece de um esclarecimento, como foi dito pelo senhor Presidente, e um esclarecimento que o PSD deseja, para bem das instituições, que seja rapidamente efectuado», afirmou.

Marques Guedes afirmou que todo este episódio foi «manipulado» para condicionar a campanha eleitoral». E foi ainda mais longe, ao dizer que as declarações de Cavaco são acusações graves ao PS, «que mentiu». O social-democrata lamentou também que os esclarecimento do Presidente «não tenha sido efectuado mais cedo».

Vitalino Canas, um dos visados, reage

No PS, Vitalino Canas, que foi um dos visados, indirectamente, na comunicação de Cavaco Silva, que responsabilizou dirigentes socialistas de tentarem colá-lo ao PSD, declarou que «a comunicação do Presidente da República foi útil, porque clarificadora em alguns aspectos centrais, já que disse não haver a percepção de que haja qualquer tipo de vigilância do Governo em relação à Presidência da República». «Esta foi a mensagem central do ponto de vista político», advogou o dirigente socialista.

Ainda em relação ao caso das alegadas escutas, Vitalino Canas considerou também que o Presidente da República, «por duas ou três vezes, falou para dentro da Casa Civil, ao sublinhar que a Presidência da República é um órgão unipessoal».

«Mas, na comunicação do Presidente da República, ficou por esclarecer os motivos por que afastou do pelouro da comunicação o seu assessor Fernando Lima, assim como a questão sobre quem, muito em concreto, tentou com casos desviar a atenção dos problemas do país», sustentou Vitalino Canas.

Campanha de casos

Já Mota Soares, do CDS-PP, destacou dois aspectos: «Esta foi uma campanha de casos e incidentes e a primeira preocupação do CDS-PP é o estado económico do país». Em segundo lugar, o CDS-PP salientou a falha de segurança referida por Cavaco, dizendo que é «grave» e com a «segurança do Presidente não se brinca».

O Bloco de Esquerda reagiu pela voz de Luís Fazenda, que disse que se o «Presidente pretendia fazer um desmentido, não se percebe porque não o fez em tempo próprio». O Bloco considerou ainda que Cavaco Silva mantém a ambiguidade nas suas declarações e que «o país não percebe esta crise artificial entre órgãos de soberania».

«Esta intervenção do PR, pela nebulosa que deixa, é deveras lamentável no actual período político e no início de uma outra campanha eleitoral», concluiu Luís Fazenda.

O PCP considerou que a declaração do Presidente da República mostra a existência de «conflito institucional entre a Presidência da República e o Governo» e que algumas das afirmações feitas exigem um «rápido esclarecimento» do Governo.

Para os comunistas, a declaração de Cavaco silva não esclareceu qual foi o papel de elementos da sua casa civil no caso das alegadas escutas divulgado na imprensa. O PCP também considerou ainda preocupantes as revelações feitas pelo Presidente sobre a vulnerabilidade da segurança na Presidência da República.
Redação / CLC