O líder do PSD afirmou hoje que irá aguardar pela análise do Ministério Público ao processo que envolve o ministro Adjunto, Siza Vieira, para fazer “um juízo final”, mas assegurou que não vai fazer “uma oposição de casos”.

Questionado pelos jornalistas no final de uma reunião com a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, Rui Rio disse ter acompanhado pela comunicação social que o Ministério Público está a “olhar para este caso”, esperando que se debruce quer sobre a ligação de Siza Vieira à sociedade de advogados de que era cliente a China Three Gorges – que depois lançou uma OPA à EDP – quer sobre o mais recente, da criação de uma empresa imobiliária familiar na véspera de ser empossado ministro.

Para ter um juízo final, preciso desta averiguação que o Ministério Público está a fazer para estar na posse de todos os dados”, afirmou, no fim da reunião que durou de mais de três horas.

Ainda assim, Rio considerou que “houve naturalmente uma incompatibilidade” pelo facto de Siza Vieira ter sido gerente de uma empresa quando já era ministro, e que o conflito de interesses “a haver” será ligado ao caso da EDP.

Questionado que consequências políticas deveriam ser retiradas destes casos, Rui Rio remeteu-as para o primeiro-ministro, António Costa, que na quarta-feira defendeu o ministro Adjunto no debate quinzenal.

As consequências políticas o primeiro-ministro já disse aquilo que entende relativamente à presença ou não do ministro no Governo e, todos nós, na oposição ou não, avaliamos essa atitude do primeiro-ministro”, disse, apenas.

Rui Rio salientou que o PSD levou na quarta-feira o tema ao debate quinzenal, depois de já ter feito um requerimento dirigido ao ministro Adjunto.

“Não vou alimentar todos os dias essa polémica (…) A minha função como líder de oposição é mostrar aos portugueses as alternativas para melhorar o país, não é andar a fazer uma oposição de casos”, salientou.

No debate quinzenal desta quarta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, considerou que houve "um lapso" por parte de Siza Vieira e afirmou que atualmente não existe qualquer incompatibilidade da sua parte, que "mal foi detetada, foi corrigida", deixando o ministro de ser sócio da empresa.

Também na quinta-feira, o Ministério Público anunciou que requereu "a referida abertura de vista" do processo de Siza Vieira, "por forma a que possa proceder à análise das declarações de incompatibilidades e de rendimentos do declarante".