O presidente do PSD manifestou-se esta quinta-feira preocupado com o aumento da carga fiscal em Portugal e disse recear que o Governo vá prosseguir esse “caminho errado” no próximo Orçamento do Estado e nos seguintes.

À margem de uma visita às instalações da 4.ª Divisão da PSP em Lisboa, Rui Rio foi questionado sobre um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), segundo o qual a carga fiscal em Portugal subiu dos 34,3% do PIB em 2017 para os 35,4% em 2018, o valor mais elevado desde 2000, acima da média dos países analisados.

Acho preocupante. Repetimos muitas vezes na campanha que a carga fiscal em Portugal foi sempre aumentando, particularmente com o PS”, afirmou, manifestando o receio de que assim vá continuar, “ao contrário do que disse o PS na campanha eleitoral”, que não subiria a carga fiscal e até a poderia descer um pouco.

“Vamos ver o Orçamento do Estado para 2020 e os próximos, mas o receio que tenho é que vão continuar a aumentar a carga fiscal, tenho poucas esperanças que este Governo do PS - em particular sustentando-se no BE e no PCP no Parlamento - vejo como muito pouco crível que a carga fiscal possa baixar em Portugal e era fundamental que baixasse”, disse.

Rio admitiu que essa descida não pode ser feita de “forma brutal”, mas defendeu que é possível inverter a tendência e “em vez de continuar a subir começar a descer”.

A minha perceção é que vamos continuar no caminho errado, espero que me engane”, disse.

De acordo com o relatório das estatísticas das receitas dos vários Estados-membros da OCDE divulgado esta quinta-feira, o rácio dos impostos pagos face ao Produto Interno Bruto (PIB) em Portugal aumentou 1,0 pontos percentuais entre 2017 e 2018, um crescimento que foi de apenas de 0,1 pontos no conjunto dos países da OCDE neste período.

Portugal ocupa a 16.ª posição da lista de 36 países da OCDE para os quais existem dados disponíveis, com um peso dos impostos mais elevado do que a média de 34,3% do PIB e do que países como Espanha (34,4%) ou o Reino Unido (33,5%).

Desde 2000, o rácio dos impostos face ao PIB em Portugal aumentou de 31,1% (abaixo da média da OCDE de 33,8% na altura) para 35,4%, segundo o documento.