Rui Rio rejeita a ideia de um bloco central, que classificou como "contranatura", mas "um acordo parlamentar" com o PS "já é uma coisa diferente". No programa "Uma Pergunta Para Si", na TVI. o líder do PSD afirmou que um "bloco central só faz sentido numa situação extremamante grave para Portugal". 

O PSD vai a eleições sempre para ganhar. Um bloco central só faz sentido numa situação extremamanete grave para Portugal, isso não faz sentido, um governo PS com ministros do PSD ou liderado por PSD com ministros por PSD. Daqui por cinco ou seis anos eu não sei o que vai acontecer ao país, agora não faz sentido", afirmou.

Mas "um acordo parlamentar já é uma coisa diferente". Rio defende que "o que é importante nos acordos parlamentares não é se se viabiliza o governo ou não", mas "as reformas estruturais que o país precisa de fazer". E aqui, Rio não tem dúvidas: "o país precisa de pessoas com capacidade para dialogar".

Esses acordos são um imperativo nacional. O país precisa de pessoas com capacidade para dialogar. Temos de nos entender", vincou.

 

Qualquer acordo que possa haver tem de ser um acordo estrutural. (...) Um acordo no Parlamento que dê ao país a oportunidade de que o país precisa acho que sim", defendeu ainda.

Rio diz que, nesta matéria, põe "a questão do país à frente" e está convencido de que pelo menos "9 milhões de portugueses" percebem a sua posição.

De resto, Rio diz que se ganahr as eleições aquilo que mais vai procurar para além de medidas como a redução de impostos é que o país rompa com estrangulamentos que são fundamentais para o seu desenvolvimento.

Se eu for primeiro-ministro e não conseguir, isso é uma derrota para mim", vincou.

Questionado sobre se estava a concorrer nestas legislativas contra o próprio aparelho partidário, Rio desvalorizou o assunto, afirmando que o PSD "é um partido muito grande e que a maior parte das pessoas do PSD está obviamente com a direção nacional e com o líder". Sobre os críticos atirou: "São poucos, que fazem muito barulho".

Já sobre as listas de candidatos a deputados, Rio refutou a ideia de que deixou de fora todos os potenciais candidatos à liderança do partido.

[Nesse caso] deixava de fora muito mais gente. Entraram na listas pessoas que estiveram contra mim desde sempre, entraram nas listas pessoas que até estiveram a meu favor e depois, no 'golpe de estado' de janeiro ate estiveram contra mim, há pessoas que estiveram sempre comigo e que não puderam entrar", afirmou.

 

"As previsões, como dizia o João Pinto, devem fazer-se no fim do jogo"

Falando sobre as propostas que o PSD apresenta nestas legislativas, marcadas para 6 de outubro, Rio afirmou que o quadro macroeconómico que as sustenta parte do quadro oficial das Finanças Públicas e prevê uma folga na ordem dos 15 mil milhões de euros. Folga que, de acordo com o líder social-democrata, será usada da seguinte forma: 25% para baixar impostos, 25% para aumentar investimento público e 50% para despesa corrente.

"Se o crescimento for aquele, vamos ter uma folga na ordem dos 15 mil milhoes de euros", afirmou.

Interrogado sobre os fatores externos que podem condicionar estas previsões, Rio sublinhou que, nesse cenário, "as medidas terão de ser revistas em baixa, os impostos terão de descer menos, o investimento público subirá menos, tudo se ajustará".

Temos 3,7 mil milhões para reduzir impostos. Agora não está desajustado, daqui por um ano pode ter de ser ajustado. As previsões, como dizia o João Pinto, devem fazer-se no fim do jogo. Temos economistas bons, mas não são bruxos."

Agravar a dívida pública é que não. "Comigo não contam", reiterou. E neste capítulo, Rio não poupa nas críticas ao Governo.

Quem nos está a ouvir está convencido que este Governo baixou a dívida pública e não baixou nada, a dívida pública subiu. Hoje, o Estado deve mais dinheiro do que o que devia em 2015. Este governo baixou a relação entre a dívida e o PIB."

Rio promete politicas públicas para as empresas que possibilitem "melhores empregos e, acima de tudo, melhores salários".

Se quero que as empresas invistam mais tenho de cuidar de ter políticas públicas que tenham esse objetivo: as empresas para investir mais têm de ser mais rentáveis, têm de ter menos burocracia, têm de ter um sistema de justiça a funcionar direito, têm de ter uma legislação fiscal mais amigável, têm de ter uma carga fiscal mais baixa".

Até porque, sublinhou, "são as empresas e os seus trabalhadores que pagam", com impostos, os salários da Função Pública.

Se queremos pagar melhor à Função Pública temos de ter as empresas a produzir mais e melhor porque elas é que pagam os impostos que permitem pagar os salários dos funcionários públicos."

E sobre a Função Pública, apesar de discordar da reposição das 35 horas - "foi um erro que o Governo cometeu, não o devia ter feito" -, Rio diz que não vai mexer nesta matéria. "Uma vez que isso se consolidou vamos fazer um esforço para conseguir governar sem ter de mexer nessa variável".