O líder do PSD alertou a direção do partido para o facto de, dado o caso de o Orçamento do Estado para 2022 não passar na sua votação na generalidade e final global, os sociais-democratas serem apanhados num contexto de crise política em tempo de diretas, "com um congresso a realizar em janeiro, ou fevereiro e completamente impossibilitado de disputar umas eleições legislativas taco-a-taco".

Aqui um facto político muito interessante, que é do interesse do PSD, mas é também no interesse de Portugal, porque eu penso que, se tivermos eleições legislativas, os portugueses querem um PSD em condições de combater o PS e fazer umas eleições normais", diz Rui Rio, salientando que isso não acontecerá se o conselho nacional não ponderar o adiamento face ao impasse político decorrente do OE.

Como confirmou a TVI durante a tarde desta quarta-feira, a direção do PSD vai propor a realização de eleições internas, para escolher o próximo presidente do partido, no dia 4 de dezembro. Caso haja segunda volta, esta realizar-se-á uma semana depois, ou seja, dia 11. 

O líder do PSD esclarece que, se o Orçamento for aprovado, há condições para a realização de eleições diretas. Mas se o resultado for o oposto, não vê como é que o partido tem condições para fazer, ao mesmo tempo, eleições diretas e legislativas.

Rui Rio, questionado sobre se se vai recandidatar à liderança do partido, recusa responder, remetendo "essas matérias" para depois do Conselho Nacional.

Sobre a aparente construção de uma crise política e se o PSD pode ser uma solução para viabilizar o Orçamento do Estado, o presidente do PSD traz de volta à luz aquilo que Costa disse há cerca de um ano. "O próprio primeiro-ministro disse que o Governo cai no dia em que precisar dos votos do PSD para aprovar um Orçamento".

Portanto, nem que o PSD tivesse essa disponibilidade, que não tem tido, não servia de nada, tínhamos a crise na mesma", assevera, ressalvando que o Partido Social-Democrata decide o seu voto relativo ao documento, "numa completa liberdade, sabendo que o seu voto em matéria de crise política não conta para nada".

Finalmente, Rio lava as mãos. "Quem abre uma crise é o PS, Bloco de Esquerda e o PCP não somos nós". 

As declarações de Rui Rio ocorrem no mesmo dia em que o Presidente da República avisou que um eventual chumbo do Orçamento do Estado para 2022 "muito provavelmente" conduziria à dissolução do parlamento e a eleições antecipadas, com "seis meses de paragem na vida nacional".

Em declarações aos jornalistas, à saída das novas instalações da associação Ajuda de Berço, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que "dificilmente o Governo poderia continuar a governar com o Orçamento deste ano dividido por doze, sem fundos europeus".

Após traçar este cenário, deixou a pergunta: "Será que o Orçamento a aparecer em abril, supondo que era fácil aprová-lo em abril, compensava os custos todos disto que eu acabei de vos dizer?".

Portanto, porque o bom senso mostra que os custos são muito elevados, tenho para mim que o natural é que, com mais entendimento, com menos entendimento, com mais paciência, com menos paciência, acaba por passar na Assembleia da República o Orçamento do Estado", concluiu Marcelo Rebelo de Sousa, que na sexta-feira irá receber os partidos com assento parlamentar no Palácio de Belém.

Depois de tanto PCP como BE terem acenado com o voto contra a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2022 já na generalidade, o Presidente da República considerou que "as pessoas devem pensar duas vezes nas consequências dos passos que dão"."Se entendem em consciência que vale a pena dar o passo, dão. Se entendem que o passo dado tem mais custos do que o procurar entendimentos até ao último minuto em relação a este Orçamento, não dão o passo", afirmou.