O reeleito presidente social-democrata, Rui Rio, afirmou no sábado que espera poder “trabalhar com estabilidade e lealdade”, recusou que o PSD esteja “partido” e vincou estar “a iniciar o momento para marcar a unidade” no partido.

Encaro esta vitória com satisfação, orgulho e, acima de tudo, com sentido de responsabilidade. Fez hoje um ano que o Conselho Nacional do PSD votou pela estabilidade, ao votar contra a minha destituição. Hoje, os militantes do PSD voltaram a votar pela estabilidade ao votar pela manutenção da atual liderança. Espero que, a partir de hoje, possamos trabalhar com estabilidade e lealdade”, afirmou.

No discurso aos militantes num hotel do Porto, Rio disse querer, a partir de hoje, “com o PSD, começar a ganhar o país”, observando que “houve um momento para se marcar as diferenças”, mas começa agora a ocasião “para marcar a unidade”.

Para mim, cabem todos cá dentro desde que estejam com seriedade e lealdade. O nosso adversário comum é o PS e a geringonça”, frisou.

Rio agradeceu aos que votaram nele, observando que foram “mais 1760 do que há uma semana”, na primeira volta das eleições diretas do PSD.

“E fizeram-no com convicção, porque não prometi nada a ninguém em troca de votos. Os 1760 que vieram a mais não tiveram nada em troca”, garantiu.

Rio lembrou ainda que se candidatou a estas eleições diretas “por espírito de missão e total desprendimento”, tendo sempre afirmado que aceitaria uma vitória “sem euforias”.

E disse também [na apresentação da candidatura, em outubro], que aceitaria qualquer resultado com a tranquilidade de ter cumprido o meu dever com o partido, o país e com a minha consciência”.

O líder reeleito assegurou que amanhã vai descansar e que o trabalho “começa para a semana”, tendo como missão conquistar o país.

“Hoje, ganhei o PSD. Quero, com o PSD, começar a ganhar o país”, afirmou.

Os apoiantes de Rui Rio começaram a entrar na sala onde o líder do PSD discursou pouco depois das 21:30, quando foram divulgados os dados, então não oficiais, de que o atual presidente e recandidato ganhava as eleições por mais de 53%.

Pelas 22:00, a sala começou a encher e a ficar mais barulhenta, embora as manifestações de entusiasmo se ficassem por alguns abraços e cumprimentos.

Após Montenegro assumir a derrota, mais apoiantes entraram na sala, que deixou de ter lugares sentados para tanta gente.

A euforia chegou pelas 22:48, quando Rui Rio entrou numa sala de apoiantes a gritar “PSD”, a acenar bandeiras do partido, a dizer “Portugal”, a aplaudir, a bradar “Vitória!” e “Rio vai em frente, Tens aqui a tua gente”.

Em janeiro de 2018, Rui Rio foi eleito presidente do PSD com 22.728 votos, correspondentes a 54,1%, contra os 19.244 (45,85%) de Pedro Santana Lopes.

A distância entre aqueles dois candidatos, nas oitavas eleições diretas da história do partido, foi de 3.484 votos

O presidente do PSD, Rui Rio, e o antigo líder parlamentar Luís Montenegro disputaram no sábado eleições diretas para a liderança do partido, numa inédita segunda volta em que podiam votar 40.604 militantes com as quotas em dia.

O atual presidente do PSD foi o candidato mais votado na primeira volta das diretas, realizada há uma semana, com 49,02% dos votos expressos, enquanto o antigo líder parlamentar social-democrata conseguiu 41,42%.

Miguel Pinto Luz, o terceiro candidato mais votado, obteve 9,55% (3.030 votos) e ficou fora da segunda volta.

O 38.º Congresso do PSD está marcado para 07, 08 e 09 de fevereiro, em Viana do Castelo.