O líder do PSD, Rui Rio, reconheceu esta segunda-feira que Alberto João Jardim tem razão em algumas críticas que fez à sua liderança e assegurou que o partido vai ajustar o seu posicionamento "às circunstâncias em cada momento".

Tive oportunidade de ver e com atenção e reconheço que algumas coisas que ele [Alberto João Jardim] diz tem razão" admitiu Rio, em declarações aos jornalistas à saída de uma visita ao Museu do Holocausto, no Porto.

O antigo presidente do Governo Regional da Madeira defendeu num artigo de opinião hoje publicado no Jornal da Madeira que PSD nacional tem de "acordar" e "mudar já" e "não esperar pelos resultados das eleições autárquicas".

No artigo intitulado "Novo Rumo para o PSD nacional", Alberto João Jardim condena, neste momento, o que classifica como sentimentalismo, considerando que o PSD confundiu 'patriotismo' com o 'não fazer ondas' nesta época de crise e defendeu uma "oposição efetiva".

Apesar de reconhecer que para as sondagens o governo socialista está "pujante e com forte apoio no eleitorado", o presidente social-democrata, Rui Rio, considera que, neste momento, o país está "numa fase de degradação acentuada da governação", competindo ao PSD acentuar a sua posição.

Rui Rio acredita, ainda assim, que "há momentos para tudo", invocando, numa referência ao início da pandemia e da legislatura o "sentido de Estado e de responsabilidade".

Outra coisa é a meio da legislatura e estar o ambiente a degradar-se fortemente. São coisas diferentes e, portanto, eu reconheço que o doutor Alberto João Jardim tem alguma razão no que diz", observou.

Questionado sobre se o artigo de opinião de Alberto João Jardim não poderia ser visto como uma crítica à sua liderança, o presidente do PSD desvalorizou, assinalando que aquele é o ponto de vista de Alberto João Jardim, que muito respeita, tal como o de muitos dirigentes que, "em face das circunstâncias, aconselham aquilo que deve ser feito".

Eu não posso olhar para qualquer opinião e achar que é desde logo uma crítica. As coisas não são assim, vivemos em democracia, há liberdade, desde que as ideias sejam genuínas e sentidas como é o caso, nós devemos de respeitar. Quando é gente com agenda, (...) a ver o melhor ângulo para dizer mal isso não merece qualquer credibilidade", disse.

Aos jornalistas, Rio disse só ter de ajustar aquilo que "é o posicionamento do PSD face àquilo que são as circunstâncias em cada momento", acrescentando que é "por de mais óbvio que as circunstâncias hoje, em maio de 2021, não são as mesmas de março de 2020".

"De cada vez que algo a criticar, cada vez que se nota que a degradação da governação socialistas se está a apurar nós, naturalmente, apuramos também a nossa oposição", disse dando como exemplo, a posição do PSD nos casos de Odemira, Novo Banco e da venda das barragens.

Rui Rio salientou, contudo, que não o "vão ver nunca aos gritos e aos insultos", afirmando que isso não é o seu "estilo".

/ RL