O PSD acusou esta quarta-feira o ex-ministro das Finanças Mário Centeno de ter desertado "em nome do interesse pessoal", com o PS a contrapor o Orçamento Suplementar "sem cortes" aos "oito retificativos" apresentados no tempo do governo PSD/CDS-PP.

No início do debate do Orçamento Suplementar no parlamento, o deputado do PSD Duarte Pacheco começou por dar os parabéns ao novo ministro das Finanças, João Leão, "pela coragem em assumir estas funções num momento em que o país vive uma forte tempestade".

As vossas previsões indicam que vamos viver a maior recessão da nossa democracia, que o défice público será colossal, que a dívida pública vai bater recordes. Perante isso, o senhor e todos nós estamos a trabalhar à procura de soluções, ao contrário do seu antecessor que desertou à procura do interesse pessoal em vez do nacional", criticou.

Logo de seguida, a líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, defendeu que o PSD devia estar satisfeito que "seja este Governo e este ministro" a conduzir o país durante a crise sanitária e económica na sequência da pandemia de covid-19.

"Ao contrário da direita, não estamos hoje a apresentar oito retificativos para cortar rendimentos, aumentar impostos, podemos estar de cabeça erguida sem cortes", afirmou.

Rio critica “grave falha do Governo” por Centeno sair antes do debate e a meio da crise

O presidente do PSD considerou hoje que o Governo cometeu uma "grave falha" ao substituir o ministro das Finanças que elaborou o Orçamento Suplementar antes de o documento ser debatido no parlamento e no meio de uma crise.

No arranque da sua intervenção de fundo, Rio defendeu que o debate do Orçamento Suplementar "fica marcado pela ausência do membro do Governo que conduziu técnica e politicamente a sua elaboração".

Não faz sentido e é caso único na democracia portuguesa que um ministro das Finanças, depois de elaborar e fazer aprovar em Conselho de Ministros uma proposta de alteração profunda ao Orçamento do Estado, abandone o executivo no dia anterior a ter de o começar a defender no parlamento", afirmou, referindo-se à exoneração de Mário Centeno na segunda-feira.

Para o presidente do PSD, "falaram mais alto as clivagens e os desentendimentos internos no Governo do que o respeito institucional e político por esta Assembleia da República; que é o mesmo que dizer, pelo povo português".

Apesar de eu próprio, há uns escassos oito meses atrás, já ter aqui previsto que Mário Centeno estava a prazo neste Governo, o que nunca me passou pela cabeça foi que, no quadro de uma pandemia e de uma crise económica grave, o ministro das Finanças saísse no dia anterior à defesa do documento que visa municiar o país com as dotações orçamentais necessárias ao combate a essa mesma crise", criticou.

Ainda assim, e "apesar de condenar claramente esta grave falha do Governo", Rio transmitiu em nome do PSD os desejos de "maiores felicidades" ao novo ministro das Finança, João Leão.

"O professor João Leão tem a importante tarefa de travar os ímpetos gastadores que não raras vezes assaltam as governações socialistas", afirmou, considerando essa tarefa "particularmente relevante" quando o país poderá vir a receber "avultadas verbas da União Europeia".

/ RL - atualizada às 17:26