O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel desafiou, esta quinta-feira, o primeiro-ministro a depor presencialmente na comissão de inquérito que irá investigar a alegada actuação do Governo na tentativa de compra da TVI, escreve a Lusa.

«Se o primeiro-ministro tem realmente amor à democracia portuguesa, se tem respeito pela instituição parlamentar, é ir em pessoa responder à comissão parlamentar de inquérito», defendeu Rangel, em entrevista à RTP1.

A lei dos inquéritos parlamentares prevê que «gozam da prerrogativa de depor por escrito, se o preferirem» o Presidente da República, os ex-presidentes, o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e os ex-primeiros-ministros.

A comissão de inquérito, criada a requerimento potestativo do PSD e do BE, tem por objecto «apurar se o Governo, directa ou indirectamente, interveio na operação conducente à compra da TVI e, se o fez, de que modo e com que objectivos» e ainda «apurar se o senhor primeiro-ministro disse a verdade ao Parlamento, na sessão plenária de 24 de Junho de 2009», quando referiu que não tinha sido informado sobre o negócio.

Na entrevista à RTP1, Paulo Rangel defendeu ainda o voto contra do PSD ao projecto de resolução do PS sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), uma vez que este não tem consequências e deve ser o Governo a «assumir as suas responsabilidades» em relação ao documento.

«Este PEC necessita de alterações profundas, se não tiverem lugar, pessoalmente acho que se devia votar contra o PEC, porque isso não tem qualquer consequência práctica, é uma votação não vinculativa», disse.