O Bloco de Esquerda (BE) quer saber que medidas concretas vai o Governo tomar na sequência dos insultos racistas de que foi alvo o jogador do FC Porto Marega durante um encontro no domingo com o Vitória de Guimarães.

Em comunicado, o BE dirige algumas perguntas ao Ministério da Educação e, em concreto, à secretaria de Estado do Desporto e da Juventude, e presta a sua solidariedade para com Moussa Marega e para com “todos os que não desistem de fazer da prática desportiva uma casa da igualdade”.

Na nota, o Bloco diz que quer saber quais são as medidas que, em concreto, o Governo tomará para intervir sobre o caso e como pretende “intensificar os instrumentos de intervenção no universo do desporto no sentido de combater o racismo”.

O Bloco questiona também o executivo no sentido de saber se “tem conhecimento de outros casos idênticos de racismo no desporto que, pelo facto de não terem sido tão noticiados, não são do conhecimento público”.

Caso o Governo tenha conhecimento de outros casos, o BE quer saber que ações foram desencadeadas.

Na nota, o Bloco lembra que na “última sessão legislativa da XIII Legislatura, a Assembleia da República, após apresentação de uma proposta de lei por parte do Governo, aprovou um diploma que imprimiu mais robustez e multiplicou instrumentos de combate à violência no desporto, nomeadamente ao racismo nos recintos desportivos”.

O Bloco destaca que já passou um ano sobre a aprovação desse diploma e os episódios de violência racista continuam.

Por isso, o BE defende que é chegado “o momento de reavaliar a aplicação desses preceitos legais e a eventual insuficiência dos mesmos”.

O Bloco considera ser “imprescindível que todas as instâncias com responsabilidades desportivas e políticas condenem os atos e utilizem todos os instrumentos legais de que dispõem para apurar responsabilidades e aplicar as devidas sanções”.

Da parte do Governo, o BE exige que tome “a posição de agir diretamente sobre o caso, garantindo que não cai no esquecimento”.

O partido liderado por Catarina Martins considera também que estes “atos devem ser punidos de forma exemplar, de modo a reforçar a importância da prática da modalidade enquanto motor de inclusão social e não como produtor de violência racista”.

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PS repudia insultos racistas e aponta atos atentatórios da Constituição

O secretário-geral adjunto do PS repudiou esta segunda-feira os insultos racistas, salientando que estes atos atentam contra a Constituição e devem ter consequências.

Em nome do PS, repudio veementemente as ofensas verbais graves - muitos graves - que atentam contra a dignidade de Marega, desportista e cidadão exemplar. Estes comportamentos e atitudes são atentatórios do artigo 13º da Constituição da República, que garante o princípio da igualdade entre todos os cidadãos", referiu José Luís Carneiro.

Para o secretário-geral adjunto do PS, o que se passou em Guimarães atenta "contra o valor do desporto".

O desporto é uma linguagem universal e, como tal, é uma linguagem de diálogo intercultural e de inclusão. O expoente máximo dessa linguagem universal foi-nos concedido por aquele que é um símbolo do espírito da paz, da tolerância e do diálogo intercultural e inter-racial: Nelson Mandela", considerou o "número dois" da direção do PS.

José Luís Carneiro apontou depois que "as atitudes, comportamentos, gestos e ofensas verbais que ocorreram no domingo naquele jogo de futebol atentam contra os valores fundamentais da humanidade".

Deve haver consequências e as instituições devem atuar", acrescentou.

PCP quer ouvir Governo e Liga de Clubes

O PCP pediu esta segunda-feira a audição, no Parlamento, do ministro da Administração Interna, secretário de Estado do Desporto e Liga de Clubes sobre "medidas a adotar".

As manifestações de racismo que envolveram o jogador do Futebol Clube do Porto Marega no jogo com o Vitória de Guimarães devem ser repudiadas. Mas mais do que palavras de condenação, o que a situação desperta, para lá do horizonte desportivo, são os fatores que abrem espaço a manifestações de racismo e xenofobia", lê-se num comunicado dos comunistas.

 

O PCP alerta para a crescente exacerbação e fomento de conflitos raciais artificialmente inculcados na sociedade portuguesa a partir de diversas formas e agentes", independentemente de "uma consideração mais global que a questão suscita, a par de problemas reais que não devem ser iludidos", refere o texto.

A bancada comunista anunciou que vai "chamar à Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias o ministro da Administração Interna, o secretário de Estado do Desporto e a Liga de Clubes, sobre as medidas práticas a adotar face a acontecimentos desta natureza nos recintos desportivos".

O avançado Marega pediu para ser substituído, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, entre o FC Porto e o Vitória de Guimarães, por ter ouvido cânticos e gritos racistas de adeptos da formação vimaranense, numa altura em que os 'dragões' venciam por 2-1, resultado com que terminaria o encontro.

Jogadores do FC Porto e também do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo.

Depois de pedir a substituição, o jogador maliano apontou para as bancadas do recinto vimaranense, com os polegares para baixo, numa situação que originou uma interrupção de cerca de cinco minutos.

/ CE - Notícia atualizada às 12:47