O PS afirmou esta terça-feira encarar «com naturalidade» o veto do Presidente da República à lei de financiamento dos partidos, dizendo que irá analisar os argumentos invocados pelo chefe de Estado e depois tentar um novo consenso parlamentar. Segundo o «Público», o PS deverá tentar resolver a questão «ainda esta legislatura».

«O PS encara com naturalidade o veto do senhor Presidente da República. Trata-se de uma competência do próprio Presidente da República. Analisaremos com cuidado os argumentos invocados» pelo chefe de Estado, declarou à agência Lusa o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS Ricardo Rodrigues.

Na sequência do veto político de Cavaco Silva, Ricardo Rodrigues adiantou que o PS «tentará um novo consenso na Assembleia da República em torno da lei de financiamentos dos partidos, «na medida em que este diploma teve a unanimidade dos grupos parlamentares».

«Não há condições para insistir», diz CDS-PP

O porta-voz do CDS-PP, Pedro Mota Soares, considerou hoje que «não há condições» para insistir na aprovação da lei do financiamento dos partidos na presente legislatura, depois do veto do Presidente da República.

«A crítica do Presidente da República ao diploma é generalizada. Parece que neste momento não há condições para insistir na aprovação deste projecto de lei e que a matéria deve ser alvo de reflexão mais profunda na próxima legislatura», disse o deputado, em declarações à Agência Lusa.

PCP discorda de fundamentos

Já o PCP «discorda dos fundamentos» do veto, considerando que o diploma não impede a fiscalização e a transparência e tem em conta a «realidade organizativa dos partidos». «É um veto que tem fundamentos com os quais discordamos porque entendemos que, sobre uma lei que era negativa e que visou em grande parte atingir o PCP e algumas das suas iniciativas e formas de organização, houve agora algumas alterações, na maior parte dos casos em sentido positivo, e que não transformariam as formas de financiamento em formas não fiscalizáveis ou não transparentes», disse aos jornalistas no Parlamento o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares.

«PSD nunca quis estas alterações»

Paulo Rangel, o ainda líder parlamentar do PSD, afirmou aos jornalistas no Parlamento que o seu partido «nunca pretendeu que estas alterações que motivaram o veto do senhor Presidente da República fossem avante».

O social-democrata acrescentou ainda que o PSD apenas «aceitou, em última instância, para garantir um consenso unânime, que achou que era uma coisa positiva, mas nunca foi a favor, pelo contrário, até foi contra isso».

Rangel adiantou também que «o PSD vai reunir a sua Comissão Política hoje à tarde e esta será uma das matérias em exame».

Analisar veto

Já a deputada bloquista Helena Pinto afirmou, segundo escreve a agência Lusa, que o partido vai «analisar em profundidade» o veto presidencial, mas considera que a decisão de Cavaco Silva «coloca um ponto final» no processo «nesta legislatura».

Artigo actualizado às 13h23
Redação / CLC