Marcelo Rebelo de Sousa diz que sai da Cidade do Panamá com “uma grande vontade” de se recandidatar à Presidência da República, nas eleições de 2021. A visita àquele país ainda decorre até domingo para participar nas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), mas já este sábado confessou esse desejo.

À pergunta se espera ser o chefe de Estado a poder receber as JMJ, em Lisboa, como chefe de Estado, começou por repetir o que tem dito: “Eu tenho dito que a minha decisão é só em meados de 2020”. 

Saio daqui – e amanhã [domingo] admito que mais – com uma grande vontade de, se Deus me der saúde e se eu achar que sou a melhor hipótese para Portugal, com uma grande vontade de me recandidatar".

Questionado sobre o que o faz ter dúvidas, o Presidente português adiantou: “Tenho de ter saúde e tenho de ver se não há ninguém em melhores condições para receber o papa”.

Uma das últimas vezes em que Marcelo se tinha referiu a uma possível recandidatura foi no final de outubro, por altura da Web Summit, falando nessa possibilidade como "efeito colateral" da cimeira tecnológica, que permanecerá em Lisboa por mais dez anos.

O chefe de Estado português falava aos jornalistas depois de ter participado na missa presidida pelo papa Francisco na basílica de Santa Maria la Antigua, padroeira do Panamá, e antes de um encontro com o seu homólogo panamiano.

Assumidamente católico praticante, o Presidente português chegou ao Panamá na sexta-feira à noite para participar nas suas primeiras JMJ. "(…) Estou, verdadeiramente, muito entusiasmado, primeiro porque há muitos peregrinos portugueses, segundo porque há uma presença muto grande de episcopado português, terceiro porque há a presença – que sei que é muito significativa aqui para o Panamá – da imagem [peregrina] de Nossa Senhora de Fátima”.

Jornadas Mundiais da Juventude em Portugal?

Por fim, Marcelo Rebelo de Sousa referiu não esconder que veio “na expectativa, no desejo de que no final destas jornadas” haja uma “grande alegria para Portugal”, com a eventual realização da próxima edição da JMJ ser em Lisboa.

Para nós, além de possível, é desejável. E todos nós já começamos a sonhar, mas só podemos sonhar, verdadeiramente, a partir de domingo, mas começamos a sonhar com o que será junto ao Tejo poder haver o acolhimento de milhares e milhares e milhares de jovens de todo o mundo, numa grande jornada de juventude, de fé, mas também de paz, de diálogo, de tolerância, de entendimento e poder isso realizar-se em Portugal que tem defendido a paz, a tolerância e o entendimento”.

As JMJ são um encontro de jovens de todo o mundo com o papa, num ambiente festivo, religioso e cultural.

O Presidente português disse ter conversado “várias vezes” com o papa na missa que Francisco presidiu este sábado, na Cidade do Panamá, e à qual Marcelo Rebelo de Sousa participou. Este foi o terceiro momento em que os dois chefes de Estado estiveram juntos: "À entrada reconheceu-me logo e recordámos quando estivemos juntos, nomeadamente em Fátima. Depois, quando foi cumprimentar, a certa altura durante a missa, as personalidades, alguns dos cardeais e representantes de outras igrejas".

Já no final, o papa Francisco contou-lhe uma história “muito curiosa”, relatou Marcelo Rebelo de Sousa:

À saída foi que tinha tido uma troca de correspondência com o arcebispo Tolentino [Mendonça] sobre dois artigos relativos a Santo António e, a certa altura, nessa troca de correspondência, dizia-se ‘Santo António de Pádua’ e ele acrescentou, ‘de Lisboa, não é de Pádua, de Lisboa’”.

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