O BE vai propor o alargamento do prazo de discussão da revisão curricular, que deverá reflectir sobre uma reforma a dez anos e não um «remendo» para cumprir os critérios da troika.

«Não podemos ter remendos em cima de remendos apenas e só para cumprir os critérios da troika», afirmou a deputada do Bloco Ana Drago, no Parlamento.

Para o BE, «aquilo que está a ser feito é feito exclusivamente para levar avante os cortes de 100 milhões do Orçamento do Estado».

«Esta reforma curricular é exactamente o que parece, aquilo que vai permitir fazer despedimentos massivos ao nível da nossa escola pública e do nosso sistema educativo, sem que verdadeiramente toda a matriz curricular tenha sido pensada», afirmou.

A deputada anunciou que o Bloco vai apresentar um projecto de resolução para que a Assembleia recomende ao Governo que o prazo de discussão seja alargado, considerando que é «fundamental» que «haja um debate também alargado na sociedade portuguesa que permita pensar o que é uma reforma e uma estrutura curricular para os próximos dez anos».

«Entendemos que este debate tem que ser feito de forma séria e ponderada. Todos nós, pais, comunidade, mercado de trabalho, empresas, universidades, a sociedade tem que decidir o que as suas crianças e os seus jovens têm que aprender, no espaço de dez anos», sustentou.

A deputada viu na reforma apresentada pelo ministro da Educação, Nuno Crato, um «conjunto de corta e cola, soma de um lado e tira de outro», sem coerência com os princípios que o governante enunciou.

«Disse que queria combater a dispersão curricular, e esse parecia-nos um bom objectivo, mas acaba por fazer o desdobramento de disciplinas, EVT [Educação Visual e Tecnológica] vai ser desdobrada em duas disciplinas», concretizou.

«Por outro lado, fala-nos daquilo que é focar nas disciplinas centrais, nomeadamente conhecimento colectivo, mas o fim do desdobramento de turmas que permitia o trabalho experimental dos professores com os seus alunos, vai ficar inviabilizado porque vamos ter turmas de 30 alunos num laboratório com um único professor», acrescentou.
Redação / CP