O secretário-geral do PS, António Costa, desafiou hoje, em Vila Real, os jovens que emigraram a regressar a Portugal, salientando que “são muito bem vindos” e que terão “mais apoios” se voltarem para as regiões do Interior.

“Agora que estamos a virar a página da pandemia, agora que começamos a caminhar para a normalidade e graças à vacinação a ter a pandemia controlada e agora que circulação à escala global se começa a retomar, é mesmo a altura de dizermos de novo aos jovens que partiram voltem porque são muito bem-vindos”, afirmou o também primeiro-ministro.

António Costa acrescentou ainda que se os jovens “voltarem para as regiões do Interior terão mais apoio", no âmbito do programa Regressar, pois é neste território que “o esforço demográfico é mais necessário”.

"Vamos alargar e aprofundar e melhorar o programa Regressar apoiando todos aqueles que tiveram que partir, sobretudo nos últimos anos, e que querem agora voltar”, sublinhou.

O secretário-geral do PS veio a Vila Real apoiar “a reeleição” de Rui Santos, o autarca que conquistou em 2013, pela primeira vez para os socialistas, aquele que era um bastião do PSD.

No seu discurso na capital do distrito, Costa reforçou a mensagem que tem repetido neste périplo pelo Interior do país, que começou em Bragança e termina domingo na Guarda, sobre o desafio demográfico e o papel deste território na nova centralidade peninsular.

“Se este desafio da demografia é um desafio geral a todo o país, obviamente coloca-se com maior intensidade nas zonas de baixa densidade e nos territórios do Interior e das regiões de fronteira e, por isso o esforço aqui tem que ser um esforço mais acrescido e esse esforço passa, em primeiro lugar, por nós cumprirmos aquele objetivo que definimos em 2015 e que é transformar as regiões de fronteira em novas centralidades no espaço ibérico”, salientou.

Nesse sentido, lembrou que, pela primeira vez, depois de quatro décadas de participação conjunta na União Europeia, Portugal e Espanha ”apresentar-se-ão em Bruxelas com um programa comum para desenvolvimento de toda a região de fronteira” entre os dois países.

António Costa disse ainda que é preciso continuar a atrair as empresas para o Interior, “criando condições para tornar o IRC mais atrativo nestas regiões, prosseguir o esforço para ir reduzindo as portagens nestes territórios” e frisou que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “prevê exclusivamente para as regiões do Interior um forte investimento nas áreas de localização empresarial”.

Por fim, lembrou ainda que foram criados cerca de 3.000 postos de trabalho "altamente qualificados", dos 3.800 inicialmente previstos no programa “Mais Coeso Emprego” e sublinhou que este plano está a ser reforçado "para criar mais 20.000 postos de trabalho altamente qualificados no Interior até 2023”.

Rui Santos, que se recandidata a um terceiro e último mandato à frente da Câmara de Vila Real aproveitou para falar sobre o curso de medicina que o Governo anunciou que poderá ser instalado na cidade até 2023.

“E ao invés de se congratularem, ao invés de elogiarem a vontade de cumprir este sonho antigo, assistimos, às declarações vergonhosas de Rui Rio e dos seus aliados na ordem dos médicos, tentando impedir esta conquista para Vila Real”, salientou o autarca.

Para o autarca, “é lamentável, é vergonhoso, é triste que o PSD nacional e que o PSD local alinhem por este discurso corporativista, procurando desculpas onde deviam encontrar felicitações”, referindo-se às preocupações reveladas pelo presidente do PSD sobre “a qualidade da formação dos novos médicos”.

/ HCL