O ex-presidente da República Cavaco Silva manifestou-se esta terça-feira entristecido com o resultado do PSD nas eleições de domingo e defendeu que é urgente mobilizar os militantes que se afastaram ou foram afastados, apontando a ex-ministra Maria Luís Albuquerque.

Como social-democrata com fortes ligações à história do PSD, o resultado obtido pelo partido não pode deixar de me entristecer”, afirmou Aníbal Cavaco Silva, numa declaração escrita, após questionado pela Lusa sobre os resultados das legislativas de domingo.

Para o ex-chefe de Estado, “a tarefa mais importante e urgente que o PSD tem agora à sua frente é a de reconstruir a unidade do partido e de mobilizar os seus militantes” e trazer “ao debate das ideias e ao esclarecimento e combate político os militantes que, por razões que agora não interessa discutir, se afastaram ou foram afastados”.

Como é o caso de Maria Luís Albuquerque, uma das mulheres com maior capacidade de intervenção, que conheci durante o meu tempo de Presidente, e muitos outros”, apontou.

 

A história do PSD mostra que a pluralidade de opiniões, no quadro dos valores básicos da social-democracia moderna – liberdade, democracia, dignidade da pessoa humana, solidariedade e justiça social, igualdade de oportunidades e livre iniciativa – é uma força estimulante e enriquecedora do partido”, defendeu.

O ex-chefe de Estado, que também já ocupou os cargos de primeiro-ministro e foi líder dos sociais-democratas, é necessário “fazer do PSD um partido verdadeiramente nacional, atento aos anseios das populações” para “exercer a nobre tarefa de oposição firme ao governo que vier a ser formado”.

É fundamental que o partido fundado por Sá Carneiro se afirme pelo papel reformista que sempre o distinguiu e que tão importante é para que Portugal se aproxime do nível de desenvolvimento médio da União Europeia”, considerou.

Ainda sobre os resultados do PSD nas legislativas de domingo - 27,9% e 77 deputados - Cavaco Silva considerou que o número de deputados eleitos “ficou muito aquém daquele que as vicissitudes que o país conheceu durante os quatro anos do governo da geringonça justificavam para o maior partido da oposição”.

Isto, reconheceu, “apesar da dinâmica revelada durante a campanha eleitoral e da indiscutível qualidade do programa económico proposto aos portugueses” pelo PSD.

Para Cavaco Silva, a história do PSD mostra que “a pluralidade de opiniões, no quadro dos valores básicos da social-democracia moderna – liberdade, democracia, dignidade da pessoa humana, solidariedade e justiça social, igualdade de oportunidades e livre iniciativa – é uma força estimulante e enriquecedora do partido”.