O presidente do PSD, Rui Rio afirmou esta quarta-feira que o ministro do Ambiente se mantém no Governo porque “mentir, faltar à verdade, não é para o primeiro-ministro muito grave, é normal”.

No final da audiência com o Presidente da República sobre o estado de emergência, Rio foi questionado se entende que o caso da venda de seis barragens pela EDP já deveria ter tido consequências políticas.

É muito difícil eu responder a isso, sempre disse que compete ao primeiro-ministro decidir se os seus ministros continuam em funções ou se saem, só posso dizer como atuaria se eu fosse primeiro-ministro”, começou por dizer

Rui Rio enumerou ainda os casos que envolveram Eduardo Cabrita, Francisca Van Dunem e agora Matos Fernandes e questiona quando o Primeiro-Ministro irá assumir a responsabilidade e tomar medidas.

Tenho de admitir que no Governo dele seja normal, no meu não seria”, assegurou, acrescentando não antecipar uma “atitude diferente” quanto ao ministro João Pedro Matos Fernandes

“Então tinha de os mandar todos embora. Eu sinceramente acho isto intolerável, à medida que o tempo avança outros ministros se sentirão à vontade para fazer o mesmo”, acrescentou.

Rio sugere que Governo usou a RTP para difundir notícias falsas

Rio voltou a considerar “um assunto mal explicado” e “esquisito” a forma como foram vendidas seis barragens pela EDP à Engie

O líder da oposição apontou ainda que "há um esforço incrível da parte do Governo em baralhar, em mentir, em ver se as pessoas não percebem nada" e sugeriu que o Executivo terá "usado a RTP" para difundir notícias falsas.

Rio reiterou ainda que, ao contrário do que foi noticiado pela RTP, a empresa que foi criada pela EDP para fazer a venda tinha apenas “um funcionário e não 28”, dizendo ter o documento que o comprova.

O presidente do PSD justificou ser fundamental que, tal como pediu hoje o grupo parlamentar social-democrata, o presidente da APA vá ao parlamento explicar o processo.

O que levou a APA a alterar o parecer?”, questionou.

O PSD e o PAN pediram hoje a audição do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, com os sociais-democratas a apontar o “avolumar de dúvidas e contradições” sobre a venda de seis barragens da EDP à Engie.

A 13 de novembro de 2020, foi anunciado que a APA tinha aprovado a venda das barragens, mas na terça-feira veio a público um parecer interno de 30 de julho de 2020 que considerou não estarem reunidas as condições para a realização da venda, propondo que fosse solicitado parecer jurídico.

A EDP concluiu, em 17 de dezembro, a venda por 2,2 mil milhões de euros de seis barragens na bacia hidrográfica do Douro a um consórcio de investidores formados pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova.

Rafaela Laja / com Lusa