O presidente do PSD revelou esta segunda-feira estar a “avaliar” a possibilidade de pedir uma comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, notando que a esquerda cortou “abruptamente” a anterior “antes que doesse a alguém”.

Estamos a ver se faz sentido criar uma nova comissão parlamentar e o que esses três partidos [PS, PCP e BE] agora dizem. Ainda não está decidido. Estamos a avaliar isso com direção do grupo parlamentar do PSD”, afirmou Rui Rio, em declarações aos jornalistas após uma reunião com Associação de Jovens Agricultores de Portugal, na sede do partido no Porto.

Rio lembrou que a “última comissão” relativa à CGD “foi abruptamente cortada pelo PCP, BE e PS”, pelo que é um “discurso um bocado hipócrita pedirem [uma avaliação] doa a quem doer”, quando “encerraram a comissão antes que doesse a alguém”.

Está a ser pensado se fazemos ou não [pedido para constituição de comissão parlamentar de inquérito à CGD]”, respondeu Rui Rio, quando questionado pelos jornalista.

Na abertura das jornadas parlamentares, em Braga, o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, em resposta indireta ao PSD, sublinhou que o partido admite usar “todo e qualquer instrumento parlamentar que seja útil ao esclarecimento” de um caso em que os “abusos são manifestos”.

Nuno Magalhães reclamou para os centristas o estatuto de líderes da oposição no parlamento, por exemplo, dado que foi “pela mão do CDS” que se discutiu “a questão da CGD”.

Os democratas-cristãos defendem o “apuramento de toda a verdade”, dado que é uma “questão séria para todos os contribuintes”.

O CDS continuará a “fiscalizar a ação do Governo”, dado que “há abusos que são manifesto”, concluiu.

Uma versão da auditoria da EY à CGD relativa ao período 2000-2015, com data de dezembro de 2017, refere que os administradores do banco público receberam "remuneração variável" e "voto de confiança", mesmo com resultados negativos.

A auditoria aponta "importantes insuficiências" organizacionais que poderão ter contribuído para decisões pouco fundamentadas na concessão de crédito e detetou sete operações de concessão de crédito com risco grave ou elevado e perdas, só nestas, de mais de 1.000 milhões de euros, entre as quais as operações de financiamento da fábrica da La Seda de Barcelona, em Sines.

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