O secretário-geral do PCP acusou hoje o presidente do PSD de achar que descobriu a “pólvora” ao criticar o congresso comunista e disse que “não gostaria de voltar” a um tempo em que as reuniões partidárias eram proibidas.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Jerónimo de Sousa considerou que Rui Rio está “sob foco, tendo em conta o seu posicionamento de colocar no centro da direita a extrema-direita”.

Como tem sido criticado por isso, acha que encontrou aqui a descoberta da pólvora, atacando o PCP e o seu congresso”, afirmou, indicando que o social-democrata o inquietou ao dizer que “se fosse ele proibia o congresso”.

Eu nem sequer invoco a lei, nem sequer invoco a Constituição da República, que proíbe qualquer proibição de realização de acontecimentos como este, que é o congresso do Partido Comunista Português, e o que me arrepia é que eu era dirigente sindical antes do 25 de Abril e aí não só anunciavam, praticavam a proibição de assembleias gerais, de grandes reuniões perfeitamente democráticas. Eu não gostaria de voltar a esse tempo”, frisou Jerónimo de Sousa.

Questionado se o partido já tem parecer positivo da Direção-Geral da Saúde para a realização do congresso, que decorrerá em período de estado de emergência devido à pandemia de covid-19, o líder respondeu que “já está tratado com as autoridades de saúde” e que “estão criadas essas condições, com grande esforço”.

Jerónimo de Sousa lembrou que o número de delegados foi reduzido para metade (cerca de 600), que a reunião magna não terá convidados, e salientou que serão aplicadas “medidas sanitárias de proteção absoluta”, como o distanciamento social ou o uso de máscaras.

Estão garantidas essas condições”, o que “dá muito trabalho, é muito exigente, mas nós somos assim, assumimos a responsabilidade, cumprimo-la”, salientou.

Jerónimo de Sousa confirmou igualmente que o congresso decorrerá na sexta e no sábado durante todo o dia, e domingo de manhã, e mostrou-se convicto de que o horário estipulado “vai ser respeitado”.

Na quarta-feira, em entrevista à TVI, o líder do PSD foi questionado sobre a possibilidade de impedir o congresso do PCP, se fosse chefe do Governo, e remeteu a solução de um eventual conflito para o primeiro-ministro, António Costa, e para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Na resposta, Rio afirmou quer “obviamente” tentaria impedir o congresso, acrescentando que “o Governo está a dizer que as regras são iguais para todos, menos para o PCP”, o que “pode levar a uma coisa muito perigosa que é as pessoas perderem o respeito ao Governo”.

No dia seguinte, em entrevista à agência Lusa, o secretário-geral do PCP criticou a “arrogância” do líder do PSD ao admitir que “obviamente” impediria a realização do congresso comunista, no último fim de semana de novembro, que disse ser um “caminho perigoso”.

O regime do estado de emergência estipula que “as reuniões dos órgãos estatutários dos partidos políticos, sindicatos e associações profissionais não serão em caso algum proibidas, dissolvidas ou submetidas a autorização prévia”.

O XXI congresso nacional do PCP realiza-se em 27, 28 e 29 de novembro de 2020 no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, sob o lema "Organizar, Lutar, Avançar - Democracia e Socialismo".

PCP identifica “um ou outro progresso” mas ainda "longe" de questões centrais

O secretário-geral do PCP indicou esta sexta-feira que “tem havido um ou outro progresso” nas negociações do Orçamento do Estado para o próximo ano, mas destacou que o Governo “está longe de se aproximar” em aspetos centrais.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Jerónimo de Sousa foi questionado sobre o sentido de voto do PCP no Orçamento do Estado para 2021.

A discussão está em andamento. O que dissemos, e continuamos a dizer publicamente, é que isto vai até ao fim, há todo um processo agora de centenas de votações no quadro do Orçamento do Estado”, afirmou, lembrando que arrancou no parlamento a discussão e votação na especialidade das propostas de alteração apresentadas pelos partidos.

De acordo com o líder do partido, “o PCP tem um conjunto de propostas e vai bater-se por elas até ao último momento parlamentar”.

E aquilo que podemos afirmar é que tem havido um ou outro progresso, mas o Governo está longe de se aproximar daquilo que nós consideramos central: questões económicas, sociais, mesmo o combate à pandemia com a pedagogia da proteção, e não com medidas que são ameaçadoras”, elencou.

PCP pede balanço das consequências do estado de emergência

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu ser necessário um balanço das consequências do estado de emergência, e considerou hoje que os portugueses tem dificuldade em perceber que medidas é que estão em vigor.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Jerónimo de Sousa foi questionado sobre a renovação do estado de emergência, autorizada pelo parlamento, apesar do voto contra do PCP.

Eu creio que nós deveríamos, de forma serena e desdramatizada, considerar quais foram os efeitos das medidas através da reposição do estado de emergência. Que balanço é que se faz?”, afirmou Jerónimo de Sousa.

 

O que é que este setor da hotelaria tem de mal, por exemplo, servir uma refeição a um sábado até à hora de almoço, ao ar livre, com condições de higiene e de segurança, para estar em casa, confinado no plano familiar. Quais são as consequências?”, questionou.

O secretário-geral do PCP considerou igualmente que “uma dificuldade que o povo português tem é a de perceber as medidas”, indicando que “é a pergunta que mais” lhe fazem.

As pessoas estão preocupadíssimas. Gostariam de respeitar todos os normativos que estão em vigor, mas têm que lhes explicar, e creio que esse é o défice real que existe, particularmente no plano da compreensão das pessoas”, advogou.

/ HCL