O presidente do PSD, Rui Rio, voltou este sábado a desdramatizar os resultados das legislativas, apontou às autárquicas de 2021, e reiterou que gosta do partido, mas “é o país que o mobiliza”.

No seu discurso no Conselho Nacional do PSD, à porta fechada, que decorre em Bragança desde sexta-feira à noite, Rio fez uma leitura dos resultados das legislativas semelhante à da noite eleitoral, quando defendeu que os 27,7% não tinham sido catastróficos, voltando a invocar as sondagens e a turbulência interna como atenuantes.

O presidente do PSD procurou sustentar esta tese em números, fazendo uma comparação com os resultados obtidos pelo partido nas autárquicas de 2017 e nas europeias de maio (abaixo dos 22%), inclusivamente detalhando os valores nos distritos e concelhos de Lisboa e Porto, concluindo que o partido cresceu ao longo desses três sufrágios.

Praticamente sem mencionar a disputa interna de janeiro - apenas para reiterar que só será líder parlamentar até março, após estar escolhido o novo líder -, o líder social-democrata focou parte do discurso nas próximas autárquicas, dizendo que pretende aumentar o número de câmaras, sem fixar uma meta concreta.

O líder do PSD retomou também a ideia de que se mantém na política pelo interesse nacional: “Estou aqui para o país. Gosto do PSD, mas é o país que me mobiliza”, afirmou, de acordo com relatos de conselheiros nacionais.

Foram vários os discursos críticos ao líder, entre os quais os do presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, que lamentou o discurso recente de Rui Rio sobre as alegadas “vigarices” dos últimos processos eleitorais internos, e de Pedro Alves, líder desta distrital, que questionou o presidente sobre o que tem feito nos últimos dois anos para se aproximar dos autarcas.

Pedro Alves, que é o diretor de campanha do candidato à liderança Luís Montenegro, citou o anterior presidente Pedro Passos Coelho, para lembrar que este obteve o segundo melhor resultado no distrito de Viseu, a seguir a Cavaco Silva.

A líder da JSD, Margarida Balseiro Lopes, agradeceu o esforço a Rui Rio, mas sublinhou que os resultados foram “maus” e os “piores das últimas décadas”, atribuindo-os a erros não corrigidos no tom do discurso, na falta de reconhecimento do legado de Passos Coelho e na ausência de demarcação em relação ao PS, considerando que se perdeu tempo a discutir um alegado problema de posicionamento ideológico, quando este era de “posicionamento político”.

Sobre o processo eleitoral em curso, a líder da ‘jota’ defendeu que o partido tem de acabar com o pagamento maciço de quotas ou com as imagens de “transportar militantes em carrinhas”, mas contrapôs que tal não pode colidir com o alargamento da base eleitoral e o presidente do PSD passar a ser eleito por cada vez menos militantes.

Também o conselheiro nacional e antigo líder da distrital de Setúbal Luís Rodrigues criticou que a análise dos resultados eleitorais só tenha sido feita mais de um mês depois do sufrágio, bem como a comparação entre autárquicas e legislativas, e desafiou todos os candidatos à presidência do partido a apresentaram o seu projeto e “de quem se rodeiam”.

O Conselho Nacional do PSD está reunido em Bragança para marcar a eleição direta do presidente do partido e o próximo congresso.

Até agora, são candidatos à liderança do PSD o presidente Rui Rio, o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, Miguel Pinto Luz.

 

Rio diz que objetivo nas autárquicas é “inverter tendência” e admite ser difícil vencer PS em 2021

O presidente do PSD apontou este sábado como objetivo para as próximas autárquicas “inverter a tendência de queda” e recuperar muitas câmaras, admitindo que será difícil numa eleição ultrapassar a diferença para os socialistas e vencer o PS.

No final de uma reunião de mais de quatro horas do Conselho Nacional, que decorreu em Bragança, Rui Rio foi questionado pela análise da situação política que fez perante os conselheiros, em que desdramatizou os resultados das legislativas e apostou nas autárquicas de 2021.

Temos de apostar a sério nas autárquicas para inverter a tendência de queda e ter uma tendência de subida real, não é ganhar mais duas ou três câmaras”, afirmou.

O líder do PSD salientou que os resultados do PSD têm vindo a cair, “um pouco em 2009 e depois o desastre em 2013 e 2017”, em que o partido alcançou a vitória em 98 municípios (sozinho ou em coligação) contra 161 do PS.

Temos de começar a recuperar essa diferença”, disse.

Questionado se o objetivo é ou não ter mais câmaras do que o PS, respondeu: “O objetivo é inverter a tendência e começar a subir, se puder ter mais que o PS tanto melhor, mas para termos caído como caímos demorámos 12 anos, não vou dizer que são precisos outros 12 anos para voltar a subir, mas é difícil fazer tudo isso só em quatro anos”, admitiu.