O presidente do PSD afirmou esta sexta-feira que dará suporte político a um agravamento das medidas para travar a epidemia de covid-19 e adiantou que não colocará obstáculos jurídicos caso o Governo pretenda antecipar essas medidas alguns dias.

Rui Rio assumiu esta posição após ter sido recebido em audiência pelo primeiro-ministro, António Costa, durante a qual esteve acompanhado por dois médicos sociais-democratas: O deputado Ricardo Batista Leite e o coordenador para a área da saúde do Conselho Estratégico Nacional do partido, António Araújo.

Perante os jornalistas, o líder social-democrata disse que se prepara um confinamento em moldes idênticos ao que vigorou em abril passado, mas com a manutenção das escolas abertas. Um ponto em que Rui Rio manifestou dúvidas, dizendo que vai esperar pela reunião de terça-feira com epidemiologistas, no Infarmed, em Lisboa, para ouvir a fundamentação técnica em relação a essa ideia de continuidade das aulas presenciais.

O número de casos de infetados e de mortos têm atingido recordes. Isso aponta para medidas mais drásticas para travar a pandemia. Se os números estiverem assim nos próximos dias, num patamar de dez mil infetados, teremos de travar os contactos entre as pessoas e, portanto, teremos provavelmente no país um confinamento muito mais apertado", referiu o presidente do PSD.

Nesse sentido, Rui Rio frisou que o PSD, do ponto de vista político, "estará disponível para votar esse estado de emergência e para suportar também as medidas que defendem a saúde pública, com as atenuantes possíveis, tendo em vista o drama económico que representa fechar outra vez, fortemente o país por mais duas, três ou quatro semanas".

PSD disponível para analisar eventual pedido de adiamento das eleições

O presidente do PSD afirmou-se disponível para analisar a possibilidade de as eleições presidenciais serem adiadas se houver pedidos de candidatos nesse sentido e caso exista no parlamento "consenso e bom senso" para ultrapassar obstáculos constitucionais.

O líder social-democrata começou por observar que há uma grande probabilidade de os portugueses estarem sujeitos a um confinamento no próximo dia 24, tendo então de existir nesse domingo "uma exceção para as pessoas poderem sair para votar".

Se entre os candidatos houver unanimidade de que, independentemente destas circunstâncias, se sentem confortáveis para haver eleições, não tenho nada a dizer. Mas, se houver candidatos que entendem que não podem fazer campanha eleitoral minimamente e, ainda por cima, no dia das eleições há confinamento, então, naturalmente, caso essa questão seja levantada, o PSD estará disponível em sede de Assembleia da República para procurar encontrar um consenso no sentido do adiamento", afirmou Rui Rio.

Rui Rio frisou em seguida que não será o PSD a levantar essa questão do eventual adiamento das eleições presidenciais, "mas se os candidatos assim o sentirem pode-se ver" a questão.

"Há constrangimentos constitucionais pesados, eu sei. Mas, havendo consenso e bom senso, obviamente, tudo se resolve", alegou.

/ HCL