No distrito de Aveiro, Rui Rio começou pelo doce da fogaça, mas rapidamente o nariz do líder social-democrata se queixou do que 'snifava'. Afinal, ainda não há moliceiros elétricos e o cheiro a gasóleo incomoda.

Com uma campanha diferente do habitual, o dia passado no centro do país foi caraterizado pelos desencontros e alguma desorganização na campanha.

A arruada estava marcada para as 11:00 em Santa Maria da Feira, mas o líder do PSD acabaria por chegar dez minutos depois da hora. À chegada, foi engolido pelos apoiantes que o esperavam, em especial dois lesados do BES/Novo Banco que ali se deslocaram para lhe agradecerem “todo o apoio que lhes tem dado”.

Depois, hora de arruada, com paragem em todas as lojas que tinham a porta aberta, tendo até entrado na padaria onde se fazem as típicas fogaças, num gesto a fazer lembrar Passos Coelho em 2015.

O dia de campanha contou com a presença do antigo ministro Ângelo Correia, que aos jornalistas disse que veio "apenas estar com muitos daqueles" que "ajudaram a fazer o PPD aqui na terra, em Santa Maria da Feira".

"Nestes momentos difíceis para a vida nacional, é bonito, é alegre, é feliz para mim sentir a solidariedade das pessoas numa causa e numa luta comum", acrescentou.

Numa arruada que durou cerca de uma hora, Rui Rio terminou a iniciativa não a subir ao pódio, mas sim ao barco, um barco construído por causa da Viagem Medieval e que ali ficou atracado até agora. 

Hora de seguir viagem, porque o almoço estava marcado para as 12:30 em Águeda com os trabalhadores da PECOL e uma rápida visita à fábrica.

Sob um barulho ensurdecedor, Rui Rio foi ouvindo as explicações sobre a fábrica de serviços na área da fixação e montagem, antes de falar aos jornalistas sobre Mário Centeno (já lá vamos), Tancos e a Comissão Permanente e até sobre os indecisos.

“Se vamos ter mais 1% ou menos 1% que o PS, é o povo português que, a 06 de outubro, vai decidir e democraticamente. Aceito todas as decisões, cumpri o meu papel, fiz o que tinha a fazer”, defendeu. 

Já sobre o facto de ter sido adiado para depois das eleições o debate sobre Tancos pedido pelo partido em Comissão Permanente, diss que “ninguém vai morrer por isso”.

“O parlamento entendeu que deve ser para a semana, por força da esquerda, é assim que será. A maioria assim decidiu”, afirmou.

Voltemos ao Centeno, sem “fugir ao debate”

Em Aveiro, a campanha voltou a fugir ao horário e obrigou os jornalistas a correr quase de uma ponta à outra da cidade com a troca de cais de embarque para o passeio de moliceiro.

E, neste passeio, Passos voltou a ser uma lembrança ativa na campanha, já que Rio navegou no mesmo moliceiro em que o antigo líder social-democrata passeou em 2015.

A curta viagem durou 20 minutos, o suficiente para o presidente da Câmara de Aveiro explicar que até 2021 os moliceiros terão de passar a ser elétricos, medida que Rui Rio aplaudiu, uma vez que se mostrou incomodado com o fumo proveniente do motor de combustão.

Depois da viagem de moliceiro, que terminou junto ao edifício da capitania, a “comitiva laranja” seguiu a pé até ao largo da praça do peixe, onde decorreu uma ‘talk’ com Rui Rio e o porta-voz do Conselho Estratégico Nacional do PSD para a área das Finanças Públicas, Joaquim Sarmento.

E foi aí que o líder do PSD aproveitou para responder ao último ataque de Mário Centeno, que recebeu via telemóvel.

“Já me tinham pedido para tirar Tancos da campanha, só falta agora dizer que não sou eu quem por parte do PSD diz quem vai debater com Mário Centeno. Então vou mandar uma carta ao líder do PS para ele dizer quem do lado do PSD vai debater com o dr. Mário Centeno”, gracejou.

O líder do PSD diz ainda ter esperança que, nas próximas 24 horas, haja uma resposta favorável por parte de Centeno, para que o debate se possa realizar até sexta-feira.

“Vamos todos aguardar, são só mais 24 horas, pode ser que o Mário Centeno aceite cumprir a sua palavra”, desafiou.

Rui Rio disse ainda que desconfia porque é que o ministro das Finanças não quer aceitar este debate.

“A minha intuição é que não faz o debate porque sabe que o que trouxe para a praça pública não corresponde à verdade e, neste momento, perder um debate desse é terrível para o PS. Já perderam muita coisa nas últimas semanas e por isso não querem mais”, afirmou.

A ‘talk’ de hoje, em princípio a última desta campanha, teve por tema “Conversas no Feminino”, mas de feminino teve apenas o facto de todas as perguntas serem feitas por mulheres, já que o convidado especial era Joaquim Sarmento.