O presidente do PSD, Rui Rio, diz que o Governo e a Câmara do Porto devem um pedido de desculpas aos portugueses pelo comportamento dos adeptos ingleses na final da Liga dos Campeões, adeptos esses que circularam pela cidade sem máscara e em grupo, desrespeitando as medidas preventivas de combate à pandemia de covid-19.

Rui Rio exige, por isso, realismo na gestão da pandemia, até porque a festa do título do Sporting em Lisboa já fazia prever o que podia acontecer no Porto.

Há que fazer isto com realismo, que nem sempre é o melhor. Não consigo entender como é que nós, nos campeonatos de futebol, não deixámos que houvesse público – e até direi que bem – e agora vamos importar um jogo em que os estrangeiros podem estar e andar por aqui a armar desacatos. E depois dizer que não vai ser como foi a festa do Sporting, em Lisboa e, aparentemente, ainda vai ser pior ou está quase a poder ser pior”, criticou.

Enfatizando ser este tipo de decisões que “depois as pessoas não entendem”, Rui Rio assegurou querer “fazer o contrário”, em declarações após ter participado no lançamento da candidatura de Jorge Ascenção à presidência da Câmara de Gondomar.

Eu quero fazer ao contrário. Quero pedir às pessoas, quando as coisas não correm tão bem num dado concelho, para perceberem que, em nome desse concelho e do país como um todo, temos de abrandar o desconfinamento nesses sítios”, sublinhou o líder social-democrata.

"Não é compreensível", diz Catarina Martins

Também a coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou incompreensível que se permita a uma iniciativa como a final da Liga dos Campeões aquilo que os portugueses estão impedidos de fazer, atribuindo responsabilidades ao Governo e à Câmara do Porto.

Parece-me que não é compreensível permitir-se a uma iniciativa aquilo que não se permite à generalidade dos cidadãos e das cidadãs deste país”, criticou no final da Mesa Nacional do BE, órgão máximo entre convenções que se reuniu no sábado pela primeira vez.

Questionada sobre quem tem responsabilidades, a coordenadora do BE referiu que, “do ponto de vista das normas e da sua implementação”, essas devem ser atribuídas ao Governo e à Câmara do Porto.

Nós achamos que são sempre necessários os maiores dos cuidados. Portugal deve ter uma posição que seja compreendida por toda a comunidade na forma como impõe regras para prevenir riscos de covid-19. Sabemos que o ar livre é bem mais seguro do que os espaços fechados, sabemos que há já população vacinada, mas sabemos que são precisos cuidados”, indicou.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha pedido coerência, referindo-se à presença de adeptos ingleses em Portugal para a final da Liga dos Campeões, e defendeu que “não é possível dizer que vêm em bolha” e isso não acontecer.

/ CM