O candidato derrotado nas últimas diretas do PSD, Luís Montenegro, defendeu hoje que “se a geringonça ruir”, o PSD não pode ser "a tábua de salvação" de António Costa, pedindo que "não haja equívocos" sobre isso.

Se antes de 2023 o dr. António Costa e o PS não assegurarem a estabilidade e governabilidade à esquerda, só há um caminho: o dr. António Costa demitir-se e ir embora à sua vida”, apelou o antigo líder parlamentar do PSD, na passagem mais aplaudida do seu discurso perante o 38.º Congresso.

A intervenção de 16 minutos do antigo líder parlamentar do PSD foi, em grande parte, dedicada a criticar o Governo e o Partido Socialista.

Portugal precisa de nós porque o PS e António Costa não têm rasgo e não têm coragem e não querem as reformas estruturais de que o país precisa”, defendeu.

Montenegro apontou que o PSD tem de ter “a ambição de governar Portugal em tempo de normalidade”: “Nós não somos o partido da ‘troika’ ou o partido da austeridade”, avisou, dizendo que o objetivo do partido “não pode ser que o PS perca por esgotamento ou que Portugal seja atingido por uma nova crise.”

O nosso dever e objetivo só pode ser ganhar pelo mérito das nossas ideias e fazê-lo o mais rápido possível”, afirmou.

Luís Montenegro lembrou que, em 2019, António Costa ganhou as eleições afirmando claramente quem eram “os seus parceiros”.

O país tem de saber que a governabilidade e a estabilidade dependem única e exclusivamente da geringonça da esquerda. António Costa não tem autoridade moral nem ética para reclamar essas condições ao PSD”, apontou.

No seu discurso, Montenegro cumprimentou Rui Rio pela vitória e o outro adversário das diretas, Miguel Pinto Luz, e apelou a que “não se repita” um universo eleitoral tão pequeno para escolher o presidente do PSD, pouco mais de 32 mil votantes.

Portugal precisa mais do que nunca de um PSD forte, a sociedade portuguesa está mais injusta e tem vindo a assistir ao aumento das desigualdades sociais”, disse, apontando a situação no Serviço Nacional de Saúde e nos transportes como dois exemplos.

Montenegro pediu “mais tolerância e menos crispação” ao partido, e citou o fundador Sá Carneiro para deixar um sinal de que não se calará.

“Eu darei o meu contributo longe dos cargos partidários e públicos, mas sempre perto para ajudar o PSD”, afirmou.

O antigo líder parlamentar do PSD terminou a sua intervenção assegurando que irá seguir o exemplo do fundador Francisco Sá Carneiro, citando o que este disse na Assembleia Nacional em 1972.

“O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for”, citou.

A intervenção de Montenegro foi ouvida com grande atenção por uma sala finalmente cheia e, se nas críticas ao Governo, foi muito aplaudido, também se ouviram expressões de desagrado - “ahhhhhh” - quando falou da unidade interna.

Disse na noite das eleições que o PSD precisa de paz e unidade e precisa mesmo e todos temos de contribuir para isso. Todos devemos exigir de nós próprios aquilo que exigimos dos outros”, afirmou.

O antigo deputado defendeu que o partido precisa de se qualificar e de “refrescar o seu ambiente”.

“Há demasiada crispação e demasiada agressividade verbal. Há demasiado fanatismo até”, criticou, considerando que “o partido precisa de tolerância, de respeitar mais a liberdade e diminuir os seguidismos de fação”.

Ao longo da sua intervenção, Montenegro foi sendo várias vezes advertido pelo presidente da Mesa do Congresso de que já tinha ultrapassado o tempo, mas prosseguiu até aos 16 minutos, “seis vezes mais” do que o tempo de que dispunha, segundo Paulo Mota Pinto.

/ (Atualizada às 18:02) ALM com Lusa