Rui Rio falou, pela primeira vez desde o início da greve dos motoristas de matérias perigosas, sobre a ação do Governo durante o conflito entre os sindicatos e a ANTRAM.

O PSD sempre disse que este conflito só pode ter uma solução e é à mesa de negociações. O assunto é entre privados e o Governo tinha de se comportar apenas como mediador, dissemos isto quatro dias e dois dias antes da greve começar. O Governo optou por fazer exatamente o contrário", começou por dizer.

Deste modo, acrescentou, "optou por se colocar num dos lados da barricada", participando no "circo mediático". 

Para além disto, Rui Rio acusou o Governo de procurar "o clima adequado para tomar medidas punitivas", para salvar os portugueses de uma greve e de um problema "que ele próprio criou" e que o pudesse beneficiar nas eleições legislativas.

Estava mais preocupado com a popularidade que podia angariar", disse.

Na opinião de Rui Rio, o Governo fez “todo um filme”, situação que já tinha acontecido antes das eleições europeias, aquando do “drama que montou” sobre o dossiê dos professores, disse, considerando que a "tática" visou tirar proveitos eleitorais.

Mas, com o agudizar do conflito, Rui Rio considerou que o Governo de António Costa percebeu que a sua estratégia estava a falhar e que as pessoas começaram a entender que não era isento e não mediava, decidindo mudar de “tática” e “levantar o circo” ao quarto dia de greve.

 O presidente do PSD garantiu ainda que o partido "não participa em circos mediáticos", ao contrário do atual Executivo. 

Colocou-se de um dos lados. O Governo tem de se portar como um árbitro", acrescentou.

Eu já ando na política há tanto tempo e não participo em circos mediáticos, não é o meu estilo, nem do PSD que eu lidero".

Rui Rio garante que o Governo levou a questão a "um ponto desnecessário", principalmente chamando as forças de segurança para o conflito. "A mesma tática que teve com os professores", durante as eleições europeias. Contudo, garante que o Executivo está finalmente num bom caminho.

Acrescentou ainda que a questão tem de ser discutida, porque "temos de ser solidários" com os motoristas, que "pelos vistos" fazem mais de oito horas por dia, a conduzir matérias explosivas.

Se o Governo não conseguir o êxito, o único recurso que temos é o Presidente da República", isto porque "a última coisa que todos nós queremos é que haja uma nova greve".

O presidente do PSD recusou-se ainda a falar sobre as polémicas que envolvem o partido e as críticas que tem recebido, garantindo que só se pronunciará sobre as matérias de oposição ao Governo.

A minha função não é andar aqui a dialogar com concelhias, como é lógico, não sou candidato à concelhia, sou candidato a primeiro-ministro”, vincou.

Na quarta-feira, o presidente da concelhia do PSD do Porto classificou Rui Rio como um presidente do partido “sem rumo nem estratégia”, e disse ser uma “incompetente arrogância” a sua “ausência total” durante o atual “período político crítico”.

O presidente do PSD, Rui Rio, considerou que o momento atual também “não é de forma algum” o adequado para se discutir uma alteração à lei da greve porque o país está num clima pré-eleitoral.

Não acho que saia daqui [greve dos motoristas] uma oportunidade para se discutir a lei da greve, muito menos acho que se deva fazer agora. Então agora é que era outra vez caótico em cima das eleições, dava para o maior dos populismos”, disse, em conferência de imprensa, na sede do partido, no Porto.

Questionado pelos jornalistas, Rui Rio reforçou que este não é de “forma alguma” o momento para se fazer esta discussão, admitindo apenas que, no futuro, o país tem, depois da greve dos motoristas, "`inputs´ para ver se é necessário ou não fazer algum ajustamento à lei".

“Esta greve, assim como outras, dão `inputs´ para que quando a lei da greve estiver em cima da mesa sejam integrados estes `inputs´, ganhamos todos mais experiência, mas agora não é a altura”, reforçou.

O líder do PSD disse que num clima pré-eleitoral não é aconselhável legislar porque cada partido tenta “ser mais papista do que o Papa” para ganhar votos.

E, depois, acrescentou, é o país que perde com leis mal feitas.