Na corrida às legislativas, o PSD apresenta a promessa de baixar impostos num conjunto de medidas de desagravamento fiscal para a classe média e para as empresas. Rui Rio esteve no Jornal das 8 desta segunda-feira para reafirmar que a receita fiscal não vai baixar, contando para isso com o impacto positivo das medidas de crescimento económico dos sociais-democratas para os próximos quatro anos.

Rui Rio propõe uma estratégia com uma forte aposta no quadro macroeconómico que se traduzirá num enorme alívio fiscal. O atual líder da oposição espera que, até ao final de 2023, os contribuintes paguem menos 3,7 mil milhões de euros em impostos.

Há uma folga de 15 mil milhões de euros com um governo PSD ou PS”, garantiu Rio na entrevista conduzida por Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares. “As taxas de crescimento que temos não são muito diferentes das do PS”, sublinhou o social-democrata.

Quando questionado se o PSD vai esperar pelo crescimento económico para baixar impostos ou, por outro lado, se começa por baixar impostos para induzir o crescimento económico, Rio afirmou que há espaço para “as duas coisas”.

Nós vamos reduzindo os impostos, gradualmente ao longo da legislatura, para esse efeito”, destacou, garantindo, ainda, que mesmo com a redução nos impostos, as medidas de crescimento económico serão a garantia de que a receita fiscal não sai prejudicada.

A receita fiscal connosco não baixa. Sobe!”, afirmou o social-democrata.

O presidente do PSD apresenta, nas medidas para baixar os impostos, a redução da taxa do IRS para os escalões intermédios e mais deduções nas despesas com educação, eletricidade e gás para consumo doméstico com IVA a 6% (ou seja, menos 17 % que atualmente) e, também, redução gradual do IRC em 4 pontos percentuais, passando dos atuais 21% para 17%, nos próximos quatro anos.

No pacote de medidas, há incentivos fiscais para as empresas exportadoras e a promessa de redução da taxa mínima de IMI e eliminar o adicional deste imposto para imóveis com valor superior a 600 mil euros, o que abre a discussão sobre o facto de a descida de impostos ser mais acentuada para as empresas do que para as famílias e para os trabalhadores.

Nós temos tido um modelo de crescimento económico muito mais assente no consumo do que na produção. A produção é exportações e investimento. Portanto, se nós queremos criar melhores empregos e com melhores salários, nós temos de ter uma economia mais competitiva. Para termos uma economia mais competitiva, nós temos de ter políticas públicas que ajudem as empresas a ser mais competitivas. A questão da carga fiscal, da legislação fiscal, a questão da desburocratização, a questão de políticas centradas no apoio às empresas exportadoras e fundamentalmente ao investimento e à capitalização das empresas é absolutamente vital, por isso é que nós pomos um bocadinho mais as empresas à frente do que o IRS, que também desce, e o IVA e o IMI, porque é isso que nos garante melhor o futuro. E é isto que nos distingue do PS. O que o PS fez foi distribuir o que tinha. Nós o que queremos fazer é distribuir uma parte, mas acima de tudo pensar no futuro”, explicou o líder da oposição.

"O que está aqui é o que Portugal precisa", destacou Rui Rio quando questionado acerca das conclusões do partido para a despesa corrente. No que toca aos funcionários públicos, o líder do PSD pronunciou-se em relação à carga horária semanal de trabalho: "Queremos fazer um esforço para não ter de passar das 35 para as 40 horas”, comprometeu-se, para já, o presidente do partido.

"A tarefa de líder da oposição já é difícil. No PSD, no momento, ainda mais”

O Partido Social-Democrata tem daqui a três meses o final desta corrida pelas legislativas, mas um dos obstáculos surgiu agora mesmo.

Castro Almeida, um dos vice-presidentes do partido, demitiu-se por discordar desta estratégia que está a ser seguida e desenvolvida, apresentada por Rui Rio no Jornal das 8.

As discordâncias com o líder do PSD levaram a este desfecho, que tornam a tarefa de Rio, diz o próprio, “difícil”.

A tarefa de líder da oposição já é difícil. No PSD, no momento, ainda mais”.

José Manuel Bolieiro, atual presidente da câmara de Ponta Delgada, é o nome apontado para ocupar o lugar deixado por Castro Almeida.

O que não me é indiferente é não haver lealdade”, comentou Rui Rio acerca da demissão que acontece numa altura em que o partido avança na corrida ao voto por via fiscal.