O PSD questionou esta quinta-feira diretamente o primeiro-ministro se pretende fazer a reforma do Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF), numa área de soberania como a segurança interna, “nas costas do parlamento e debaixo do tapete”.

No dia em que os inspetores do SEF realizam um protesto em frente à Assembleia da República contra a intenção do Governo em extinguir este serviço, o PSD recebeu-os “no interior do parlamento”, como sublinhou o vice-presidente do partido e deputado André Coelho Lima.

Esta é uma área de soberania, e para o PSD áreas de soberania não são área de política partidária, são área de entendimentos”, afirmou, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

O dirigente social-democrata registou “as diferenças de postura no Governo”, recordando que, na semana passada, o ministro da Defesa disse que iria ler “aprofundadamente” as propostas do PSD nesta área e que “reconhecia posturas de entendimento”.

Na administração interna, área igualmente de soberania, temos da parte do ministro uma postura completamente oposta: quer fazer a reforma de uma importantíssima força de segurança sozinho, nas costas do parlamento e do debate político”, criticou.

Coelho Lima apontou que, a propósito da forma de realização das autárquicas, António Costa “discordou frontalmente” do ministro Eduardo Cabrita na semana passada, dizendo acreditar que tal possa também acontecer nesta matéria.

Já não é ao MAI, mas ao primeiro-ministro que pergunto: pretende ou não passar uma reforma numa área de soberania nas costas do parlamento e por baixo do tapete?”, questionou.

O deputado do PSD frisou que há um entendimento alargado entre Governo, PSD e “até sindicatos” em fazer uma separação entre funções policiais e administrativas no sistema de segurança interna.

O que se discute aqui é se o SEF deve deixar de ter funções policiais, isso sim é totalmente desaconselhável a nosso ver, pela experiência que tem, pela mensagem que transmite em termos exteriores e porque extinguir o SEF seria extinguir uma das melhores polícias técnicas”, defendeu.

O deputado do PSD apontou ainda que esta reforma surgiu depois do caso da morte do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa em março de 2020 e não resulta de “uma atuação programada”, frisando que há concursos abertos para contratação de novos elementos do SEF até 2023.

O que está neste momento a acontecer aos pedidos de asilo e regularização, não estando ao SEF permitido fazer atendimentos por instrução do MAI?”, perguntou André Coelho Lima.

Questionado qual seria a melhor forma de fazer esta reforma para o PSD, o dirigente social-democrata frisou que “o SEF não deve perder a sua vertente policial”.

A nossa proposta é que, com responsabilidade, no contexto parlamentar, pensemos numa separação orgânica, transversal em todo o sistema de segurança interna [entre funções policiais e administrativas], e não exclusiva do SEF, isto sim é falar de uma reforma global e não casuística”, defendeu.

/ HCL