O recandidato à liderança do PSD, Rui Rio, considerou hoje "absolutamente lastimosa" a prática de prometer lugares em troca de apoios, algo impossível na sua candidatura, mas adiantou que tem ouvido "histórias esquisitas" do lado do seu opositor.

"As pessoas que me apoiam, particularmente aqueles que me são mais próximos, conhecem-me bem, já estão comigo, já me conhecem bem e portanto eu acho de todo impossível que isso esteja a acontecer sendo que eu ouço histórias do lado de lá ao contrário, até ouço histórias esquisitas que nem vou aqui dizer", declarou.

À entrada para uma sessão com militantes, no âmbito da campanha para a segunda volta para a liderança do PSD, Rui Rio foi confrontado com as declarações do candidato Luís Montenegro, que negou na terça-feira andar a "oferecer lugares em troca de apoios", mas disse não ter certezas de que "o dr. Rui Rio e os seus apoiantes" não o façam.

"Isso é uma prática que não é assim tão fora do comum dentro dos partidos - e dentro do PSD também - que eu acho absolutamente lastimosa", respondeu, garantindo que nunca na vida fez "uma coisa dessas".

O presidente recandidato afirmou que já assistiu a outros a fazerem isso, mas deixou claro que recusa "terminantemente fazer uma coisa dessas".

Rio considera lamentável que militantes da Madeira não possam votar

O recandidato à liderança do PSD, Rui Rio, considerou lamentável que os 104 militantes da Madeira "que cumpriram direitinho" voltem a estar impedidos de votar nas eleições internas, pedindo "bom senso" aos dirigentes locais.

O presidente do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, afirmou na terça-feira que a estrutura regional não vai "promover" a segunda volta das eleições internas nacionais do partido, considerando que isso seria uma "humilhação" para os militantes social-democratas do arquipélago.

Esta quarta-feira, à margem de uma sessão de campanha com militantes, em Lisboa, Rui Rio foi questionado sobre esta situação, que classificou como "lamentável".

"Há 104 militantes da Madeira que cumpriram direitinho o que tinham a cumprir tal como os militantes dos outros pontos do país. Está-se a negar o direito a esses 104, pela segunda vez, de poderem exercer o direito deles. Acho isto um certo desrespeito para com esses militantes", criticou.

Rui Rio admitiu que qualquer solução para este problema "muito difícil", cuja responsabilidade é do Conselho de Jurisdição, considerando que se trata de uma questão "mais de bom senso das pessoas dos dirigentes da Madeira".

"Os militantes têm de ser todos tratados por igual e os regulamentos têm de ser todos iguais e a própria lei nacional tem de ser cumprida. Não se pode financiar um partido político em notas", defendeu.

Mostrando-se de acordo com a Lei do Financiamento dos Partidos, o presidente recandidato defendeu que "não se pode andar com dinheiro para trás e para a frente em sacos de plástico ou caixas de sapatos".

O Conselho de Jurisdição Nacional do partido decidiu não contabilizar os votos da Madeira na primeira volta das eleições, no sábado, por estarem em desconformidade com o caderno eleitoral - a estrutura regional falava em cerca de 2.500 militantes em condições de votar, a secretaria-geral em apenas 104 -, e o seu presidente, Nunes Liberato, realçou que os dados divulgados não alterariam o desfecho das eleições diretas desse dia.

Face a esta decisão, o PSD/Madeira optou por "não promover" a segunda volta das eleições no arquipélago.

"Seria uma humilhação, novamente, para os nossos militantes, e nós não podemos colaborar com uma situação destas, de falta de respeito pelos nossos militantes", sublinhou o presidente do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque.

O líder regional remeteu para mais tarde a decisão de avançar ou não com um pedido de impugnação do ato eleitoral.

/ AM